Cultura

Quem são os candidatos “do rock” nestas eleições?

Enquanto Haddad e Suplicy vão de Beatles e Dylan, Rogério Rosso é metaleiro. Eduardo Bolsonaro curtia com o Forfun

Candidatos vão do rock clássico ao emo
Candidatos vão do rock clássico ao emo

Como músico, o ex-deputado Eduardo Cunha lembrava o “Surfista Calhorda” da canção dos Replicantes, banda gaúcha dos anos 1980. Tinha uma bateria, era fã de Led Zeppelin, mas não tocava nada, como provou em “apresentação” durante programa da jornalista Mariana Godoy em 2015.

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Preso e fora da disputa à Câmara neste ano, Cunha deixou uma cria na política que também compartilha seu gosto por heavy metal. Aliado do ex-presidente da Câmara à época, Rogério Rosso, do PSD, presidiu a comissão que resultou no impeachment de Dilma Rousseff. Na ocasião, disse que músicas do Iron Maiden serviram de trilha sonora para a condução dos trabalhos. Hoje candidato ao governo pelo Distrito Federal, Rosso toca guitarra, piano e baixo de forma virtuosa, ao contrário de Cunha.

Talvez não exista candidato relevante que se compare a Rosso no domínio das escalas e das paletadas alternadas. No campo progressista, há quem se arrisque (e desaponte) nas performances, a exemplo de Fernando Haddad, candidato à Presidência pelo PT, que volta e meia empunha uma guitarra ou violão para arranhar uma composição dos Beatles, talvez inspirado pelo correligionário Eduardo Suplicy, postulante ao Senado e reconhecido intérprete de Blowin’ in the Wind, de Bob Dylan

Para ser do rock, não precisa necessariamente tocar um instrumento ou ter uma banda. Como mostrou reportagem da Vice, Eduardo Bolsonaro, filho do presidenciável e candidato à reeleição como deputado federal, curtiu sua juventude ao lado do grupo Forfun, uma legítima réplica nacional do Blink 182, mas com aquela pegada “Malhação” típica do início dos anos 2000. Aparece até em um clipe da banda: abre uma lata de cerveja enquanto os amigos tocam no palco.

Confira os melhores (e piores) momentos dos “candidatos roqueiros” destas eleições:

Haddad: sai a sanfona e o triângulo, entra a guitarra

O jingle do PT tem triângulo e sanfona, mas a trilha sonora tão associada ao Nordeste do ex-presidente Lula bem poderia ter uma versão para guitarra, agora que Fernando Haddad assumiu a cabeça de chapa. Quando vem a público arranhar alguns acordes, o presidenciável petista mostra certa desenvoltura. Em 2014, tocou “Blackbird'” ao lado de um cover de Beatles. Longe de um Paul McCartney, também não fez feio ao empunhar uma SG vermelha, da Gibson. Não foi tão bem-sucedido ao tocar “Smoke on the Water”, do Deep Purple, ao lado de integrantes da banda Public Enemy.

Nem sempre Haddad está plugado. Ele já se apresentou em versões acústicas, quando tocou “Hey Jude”, também do quarteto de Liverpool, em seu violão. Ao lado, estava o eterno “cantor” Suplicy.

Suplicy: intérprete de Dylan e groupie do filho

O candidato ao Senado também gosta de Beatles, mas fez fama como intérprete de Bob Dylan. De uma música, na verdade: o petista já cantou Blowin’ in the Wind para nomes tão distintos como João Doria, postulante ao governo de São Paulo pelo PSDB, e o ex-presidente uruguaio Pepe Mujica, sem contar inúmeras versões em plenário ou durante entrevistas.

Pai do roqueiro Supla, que tem cantado a seu favor na propaganda eleitoral, ele também costuma se juntar à multidão para assistir aos shows do filho. Mas não é apenas como “groupie” e cantor que ele mostra sua verve de roqueiro rebelde. Ao ser levado pela polícia após tentar impedir uma reintegração de posse em 2016, ele mostrou um lado punk de fazer inveja a Supla. 

Rogério Rosso: o virtuose

O candidato ao governo ao DF pelo PSD tem um estúdio em sua casa sob o sugestivo nome de “Rossom”. Em vídeos no Youtube, mostra talento ao tocar baixo, guitarra e piano. Como Cunha, é fã de Led Zeppelin, embora considere Jimmy Page, guitarrista da banda, apenas como o quinto melhor da história, conforme narrou uma reportagem do UOL de 2016.

Durante o impeachment, dizia ouvir sempre a faixa “Deja-Vu”, do álbum “Somewhere in Time”, do Iron Maiden. O motivo? O fato de o afastamento de Dilma trazer lembranças do processo que alijou Fernando Collor do poder.

Eduardo Bolsonaro: curtindo com o Forfun

Toda banda tem um amigo que, sem saber tocar, sobe ao palco apenas para tomar cerveja e participar de um mosh. Aparentemente, esse era o papel de Eduardo Bolsonaro em sua relação com a banda Forfun nos anos 2000.

Uma reportagem da Vice descortinou o que chamou de “passado playsson-emo” do candidato à Câmara dos Deputados. Diversas fotos mostram o jovem Eduardo ao lado de integrantes da banda. No clipe “História de Verão”, ele abre uma cerveja enquanto seus amigos tocam, a partir de 0:40.

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