Punk dos Garotos Podres diz que Lula é um dom Sebastião

'Prendê-lo foi o maior erro da ditadura atual' afirma o vocalista Mao, que se prepara tocar a Internacional Socialista na Virada Cultural

Cultura,Política

José Rodrigues Mao Junior, de 56 anos, é formado em História pela USP, onde fez também mestrado e doutorado em História Econômica. Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo, é um especialista nos temas da Revolução Cubana e do Anti-Imperialismo.

O melhor de seu currículo, no entanto, é que Mao é punk. Um punk do ABC paulista, vocal da lendária banda Garotos Podres. Autor de Vou Fazer Cocô e Papai Noel, Velho Batuta, “aquele porco capitalista, presenteia os ricos, cospe nos pobres”. Seria Papai Noel f.d.p., não tivesse a censura imposto o velho batuta.

Em 2012, a banda dos veteranos do punk rock rachou entre direita e esquerda, prenúncio do que viria a acontecer com nossas famílias. Sukata e Caverna para um lado, o cavernoso. Mao, que nada tem a ver com Mao Tsé-Tung, é mesmo seu sobrenome, para o outro, o lado certo da história.

“Garotos Podres” ficou sub judice, motivo pelo qual o bom velhinho (um jovem de 56 anos) passou a apresentar-se como O Satânico Dr. Mao e os Espiões Secretos. Hoje, Garotos Podres outra vez, estavam escalado para abrir os shows dos Dead Kennedys no Brasil.

A banda punk da Califórnia, no entanto, cancelou as apresentações por causa da ameaça dos bolsominions, furibundos com um pôster da turnê em que apareciam apropriadamente vestidos de Bozo e com armas em punho.

Desgarrados da banda podre dos Garotos, Mao está hoje ainda mais confortável para tocas suas versões punks da Internacional Socialista, de Guantanamera e Avante Camarada. No palco, discursa como seus vizinhos do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

Mora também a poucas quadras do apartamento de Lula. Para onde se deslocou no dia da condução coercitiva do ex-presidente, disposto a compor uma parede humana. Meses depois, tocou na Vigília Lula Livre, em Curitiba. A Internacional, claro. “A maior burrice que fizeram foi prender o Lula. Ele virou um herói, um dom Sebastião.”

CartaCapital foi tomar um café com Mao na sua casa. O resultado da conversa, sobre punk e política, está no vídeo que acompanha este artigo.

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Editor-executivo online de CartaCapital, correspondente das Notícias do Hospício e apresentador da série O Infiltrado (History).

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