Cultura

O poder da sugestão

Jacques Tourneur, universo inquientante em que quanto menos se vê mais se acredita

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“Quanto menos a pessoa vê, mais ela acredita. Em vez de impor suas visões ao espectador, você deve instilá-las gota a gota.” Esse princípio formulado por Jacques Tourneur (1904-1977) define à perfeição seu cinema de baixo orçamento e alto impacto.

Filho do cineasta Maurice Tourneur, ele nasceu em Paris, mas virou cidadão americano em 1919. Por dez anos foi assistente do pai nos EUA e na Europa. Estreou como diretor na França, nos anos 1930, com comédias inconsequentes. De volta a Hollywood, foi contratado pela MGM para realizar curtas e dirigir a segunda unidade de filmes de outros cineastas.

O grande salto deu-se quando o produtor Val Lewton, da RKO, chamou-o para realizar thrillers sobrenaturais de baixo orçamento: Sangue de Pantera (1942), A Morta-Viva (43), O Homem-Leopardo (44). Neles, além de mostrar todo o seu talento para a criação de atmosferas aterrorizantes sob a superfície da elegância narrativa, Tourneur introduzia um elemento novo: as forças desconhecidas e imprevisíveis atuantes no interior dos próprios personagens.

“À sua própria maneira despretensiosa, Sangue de Pantera foi, talvez, tão importante quanto Cidadão Kane para o desenvolvimento de um cinema americano mais maduro”, disse Martin Scorsese.

A inquietante estranheza do universo de Tourneur aparece em seus filmes de qualquer gênero, do western (Paixão Selvagem) ao policial noir (Fuga do Passado), do thriller político (Expresso para Berlim) à aventura de capa e espada (O Gavião e a Flecha).

No final da carreira, manteve-se na ativa dirigindo episódios para séries de tevê (entre elas Bonanza e Além da Imaginação).

DVDs

Sangue de Pantera (1942)


Irena (Simone Simon), imigrante sérvia, casa-se com um americano (Oliver Reed), mas teme que sua própria excitação sexual possa transformá-la num felino, como reza uma tradição popular de seu país. O marido a encaminha a um psiquiatra, que tenta seduzi-la. Clássico absoluto, refilmado por Paul Schrader em 1982.

O Homem-Leopardo (1943)


Numa cidade do Novo México, a dançarina Kiki Walker (Jean Brooks) entra no nightclub local com um leopardo na coleira, como estratégia publicitária. A fera foge e belas jovens começam a aparecer mortas na região. Kiki e seu empresário não acreditam que o leopardo seja responsável e investigam por conta própria.

O Gavião e a Flecha (1950)


Lombardia, século XII. Dardo (Burt Lancaster), líder dos camponeses, luta contra os homens que raptaram seu filho e busca libertar a donzela Anne (Virginia Mayo), presa no castelo do Conde Ulrich (Frank Allenby), o Gavião. Aventura à Robin Hood. Lancaster, homem de circo, dispensou os dublês nas cenas acrobáticas.

“Quanto menos a pessoa vê, mais ela acredita. Em vez de impor suas visões ao espectador, você deve instilá-las gota a gota.” Esse princípio formulado por Jacques Tourneur (1904-1977) define à perfeição seu cinema de baixo orçamento e alto impacto.

Filho do cineasta Maurice Tourneur, ele nasceu em Paris, mas virou cidadão americano em 1919. Por dez anos foi assistente do pai nos EUA e na Europa. Estreou como diretor na França, nos anos 1930, com comédias inconsequentes. De volta a Hollywood, foi contratado pela MGM para realizar curtas e dirigir a segunda unidade de filmes de outros cineastas.

O grande salto deu-se quando o produtor Val Lewton, da RKO, chamou-o para realizar thrillers sobrenaturais de baixo orçamento: Sangue de Pantera (1942), A Morta-Viva (43), O Homem-Leopardo (44). Neles, além de mostrar todo o seu talento para a criação de atmosferas aterrorizantes sob a superfície da elegância narrativa, Tourneur introduzia um elemento novo: as forças desconhecidas e imprevisíveis atuantes no interior dos próprios personagens.

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