Cultura
O papa-tudo da Champions
Em sua autobiografia, Ancelotti rememora os feitos como atleta e técnico e afirma sonhar vencer a Copa do Mundo com a Seleção Brasileira
Multicampeão na carreira como atleta, Carlo Ancelotti confirma que um ex-jogador, quando deixa os gramados e se torna técnico, costuma ter um bom desempenho. Sabemos que nem sempre isso ocorre, mas o atual técnico da Seleção Brasileira confirma a tese.
O Sonho, assinado por Ancelotti e Chris Brady, é uma autobiografia que conta a história de sua trajetória como jogador e, principalmente, como técnico, posto no qual ostenta a impressionante marca de cinco vitórias na Champions League.
Natural de Reggiolo, na Emilia Romagna, Ancelotti, desde menino, alimentava o sonho de ser jogador de futebol. E conseguiu realizá-lo. Como atleta profissional, atingiu um nível técnico que o levou a ser convocado para a seleção italiana, a Azzurra. Ao encerrar a carreira, aos 33 anos, surgiu a dúvida: o que fazer a partir daí?
A resposta surgiu com o convite feito pelo então técnico Arrigo Sacchi para ser seu assistente na seleção italiana. Sacchi assumiu o comando da equipe em 1991. “Era o único jeito de manter viva a minha paixão pelo futebol. Foi apenas um novo modo de amar esse esporte e ir atrás de outros sonhos”, diz ele, no livro.
A missão que tinha pela frente era a de classificar a seleção para a Copa do Mundo de 1994, que seria realizada nos Estados Unidos. A Itália disputou a final contra o Brasil, que venceu o jogo, conquistando assim seu quarto título mundial.
O Sonho. Carlo Ancelotti e Chris Brady. Tradução: Diego Francisco Gonçalves. Editora Planeta (256 págs., 69,90 reais)
Ancelotti revela que, ao longo da carreira como jogador, foi adaptando filosofias de trabalho e esquemas táticos de diversos técnicos, e que, quando passou a ser técnico, colocou em prática esses aprendizados, sem, no entanto, ficar refém de nenhum deles.
Entre as suas qualidades estão a de transmitir confiança para os jogadores e de tratar todos com respeito – não importando a função da pessoa dentro do clube. Ancelotti trabalhou nas cinco principais ligas do futebol da Europa e aprendeu a falar o idioma de todas.
Desde 26 de maio de 2025, ele comanda a Seleção Brasileira. Com apenas seis meses de trabalho conseguiu mudar o clima de apatia que envolvia a Seleção, devido a resultados negativos desde a Copa do Mundo do Catar, em 2022.
Ancelotti sabe que o sonho de todo brasileiro é ver o Brasil campeão de novo e, no livro, diz: “Agora esse é o meu sonho também. Tentarei realizá-lo dando tudo de mim. É uma grande responsabilidade. Mas que desafio maravilhoso. Vencer a Copa do Mundo com o Brasil”. •
Publicado na edição n° 1405 de CartaCapital, em 25 de março de 2026.
Este texto aparece na edição impressa de CartaCapital sob o título ‘O papa-tudo da Champions’
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