Cultura

Morre o cineasta húngaro Béla Tarr aos 70 anos

Ele anunciou aposentadoria em 2011, e, de lá para cá, se dedicou ao ensino de cinema

Morre o cineasta húngaro Béla Tarr aos 70 anos
Morre o cineasta húngaro Béla Tarr aos 70 anos
Béla Tarr, em foto de 2016 – foto: Fadel Senna/AFP
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O lendário cineasta húngaro Béla Tarr, conhecido por seus planos-sequência e filmes em preto e branco de várias horas de duração que retratam paisagens desoladas, morreu nesta terça-feira 6, aos 70 anos.

Sua morte foi anunciada pela agência de notícias MTI, citando uma declaração do diretor Bence Fliegauf em nome da família.

O mestre do cinema húngaro, que morreu após uma longa doença, é conhecido por suas obras complexas e sombrias, principalmente Satantango (O Tango de Satã, 1994), um filme de sete horas sobre o colapso do comunismo na Europa Oriental e seu declínio material e espiritual.

O filme é uma adaptação do romance de mesmo nome, do ganhador do Prêmio Nobel de Literatura László Krasznahorkai, com quem Tarr colaborou em diversas ocasiões.

“É com profunda tristeza que anunciamos o falecimento do diretor Béla Tarr na manhã de hoje, após uma longa e grave doença”, declarou a Associação de Cineastas Húngaros em comunicado.

“Morreu o homem mais livre que já conheci”, afirmou o prefeito de Budapeste em comunicado, elogiando seu amor por “aquilo que é essencial ao ser humano: a dignidade humana”.

Nascido em 21 de julho de 1955, na cidade universitária de Pécs, no sudoeste da Hungria, Béla Tarr realizou seu primeiro filme amador aos 16 anos, que abordava a vida de trabalhadores ciganos.

Seis anos depois, em 1977, rodou seu primeiro longa-metragem, Ninho Familiar, com o apoio do estúdio de cinema experimental Béla Balázs, em Budapeste, onde se formou como diretor.

Ele é o autor do primeiro longa-metragem independente húngaro, Danação, exibido no Festival Internacional de Cinema de Berlim em 1988 e coescrito com László Krasznahorkai.

“Tive a sorte de encontrar meu caminho para sobreviver: fazer filmes”, disse ele ao jornal francês Le Figaro em 2005.

Tarr, apelidado de “o Tarkovsky húngaro” em referência ao cineasta russo Andrei Tarkovsky, também gravou Macbeth em 1982 e A Harmonia de Werckmeister, apresentado em Cannes em 2000.

Após seu último longa-metragem, O Cavalo de Turim, em 2011, anunciou sua aposentadoria. Depois disso, fez apenas dois curtas-metragens e dedicou-se ao ensino de cinema na Hungria, na Alemanha e na França.

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