Cultura

Mariana Aydar dá protagonismo ao forró no Grammy Latino

Prêmio da cantora com trabalho dedicado ao gênero ressalta a grandeza e as possibilidades do ritmo nordestino

Foto: Autumn Sonnichsen/Divulgação Foto: Autumn Sonnichsen/Divulgação
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O Veia Nordestina, de Mariana Aydar, foi um dos últimos bons álbuns lançados antes da pandemia. A cantora e compositora trouxe o forró para os tempos atuais e mostrou que é sempre possível inserir elementos contemporâneos sem ferir as tradições.

O trabalho lhe valeu nesse final de ano o prêmio de Melhor Álbum de Música de Raízes em Língua Portuguesa do Grammy Latino.

“Fiquei feliz por que considero um prêmio para o forró, que é uma música onde existe muito preconceito. Trata-se de um disco dedicado à música nordestina”, afirma ela.

Mariana Aydar regravou apenas duas músicas entre as 12 faixas: Espumas ao Vento, de Accioly Neto, e Triste, Louca ou Má, que é dos integrantes da banda Francisco, el Hombre. As outras dez são dela sozinha, com parceiros e de outros compositores.

“Queria atualizar o que acontece hoje no baile de forró. Entendi então que devia escrever ou encomendar certas músicas. Não é assunto que consegue achar em músicas antigas”.

Além de apresentar novas composições, Mariana diz que “queria colocar a mulher como protagonista [no trabalho], porque o forró é um ambiente extremamente machista”. De fato, se ressalta nas composições a atitude feminina, algo historicamente secundário nos ritmos nordestinos.

Aliás, a cantora e compositora tem o forró como gênero central desse trabalho, mas também se ouve nesse álbum ritmos tradicionais, como xote, pagodão, arrocha, frevo, galope, kuduro e rastapé, além de batidas eletrônicas.

“Não queria um disco com arranjos completamente pé de serra [o tradicional som do trio zabumba, triângulo e sanfona], mas minha visão do forró”. O álbum conta com a participação em duo com Mariana de Elba Ramalho e Maria Gadú.

Luiz Gonzaga

A visão de quebra de paradigma no forró, segundo ela, vem desde o seu início de carreira, aos 21 anos, quando participou de uma banda que tocava o gênero.

“Nesse trabalho, queria continuar o exercício de experimentar novas sonoridades, ritmos, instrumentos, assuntos dentro do forró, dentro da música nordestina”.

Quinto álbum de estúdio da cantora, que teve o patrocínio do projeto Natura Musical, é o primeiro dedicado à cultura nordestina que ela aprendeu a gostar aos 5 anos de idade através de sua mãe, uma das empresárias de Luiz Gonzaga.

“Criança, fiquei encantada com aquela figura excêntrica. Fui atrás dos discos dele para entender o que ele fazia. E me apaixonei”.

No final dos anos 1990, o forró conseguiu abrir espaço cativo na capital paulista. Viagens também se seguiram ao Nordeste. Aproximou-se também da obra de Dominguinhos, outra referência do gênero. A paulistana Mariana Aydar então se descobriu nesse meio.

“Tenho amor grande pelo Nordeste. Aprendi muito com os nordestinos. Do jeito que eles vivem. E queria isso para mim. O forró ainda me deu muitos amigos. Apesar disso, não tinha feito um disco dedicado ao forró. E aí decidi que tinha chegada o momento”.

E chegou da melhor maneira possível. Mariana Aydar, desde o seu primeiro álbum, Kavita 1 (2006), não abriu mão do trabalho sincero e verdadeiro. O Veia Nordestina premia acima de tudo essa entrega, associada à maturidade na voz e na forma de conduzir o trabalho.

[NOTA DO COLUNISTA: O título inicial do texto, de minha autoria, usou a palavra “marginalizado” como relacionada ao tratamento do Grammy Latino ao forró e da própria indústria tradicional da música (das grandes gravadoras, leia-se), a despeito do segmento ter significativos acontecimentos voltados ao gênero, como as festas de São João, e nomes conhecidos nacionalmente que o executam. Mas fui infeliz no uso do termo. Lamento. O título mais certeiro? Mariana Aydar ressalta a importância do forró na música brasileira.]

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