Cultura

João Gilberto morre aos 88 anos: o adeus de um revolucionário

João cantava num timbre improvável, tocava violão de uma maneira improvável. E influenciou gerações daqui e do mundo

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João Gilberto morreu neste sábado, aos 88 anos. Pai de Bebel, Luisa e João Marcelo, o baiano de Juazeiro foi o inventor da bossa nova e gerou uma revolução na música brasileira. A causa da morte não foi informada.

João cantava num timbre improvável, tocava violão de uma maneira improvável. E influenciou gerações daqui e do mundo com a mesma improbabilidade de quem o viu no início de carreira, acanhado, quase calado. Quase sem se fazer notar.

“Chega de Saudade”, seu disco clássico, lançado em 1958, ainda é ouvido com ares de surpresa. Tão natural cada acorde. Tão poética cada sílaba.

Era um homem cheio de manias. Quando morador do Rio de Janeiro, diz-se que acostumava almoçar todos os dias a mesma coisa. No mesmo lugar. Na mesma mesa.

Desfilava, em horários inusuais, pequenos ensaios e testes sentado na escada do prédio porque a acústica assim mandava.

Sozinho num palco, apenas ele e o violão, como gostava e como foram seus últimos shows, virava um gigante.

Muitas de suas histórias são reais. Outra são folclore em torno do homem que arrebatou o Brasil, adotou Nova York e foi abraçado pelo mundo.

Nos últimos anos, voltou a ser a figura calada e isolada que habitava o João menino nos anos 50, angustiado pela falta de oportunidades na carreira.

No ano passado, envolto em polêmicas familiares, foi interditado parcialmente a pedido da filha Bebel. O motivo, além da idade avançada, era a situação financeira dramática do músico. Chegou a ser despejado do apartamento onde morava no Leblon, no Rio. Tinha dívidas impagáveis que rodavam desde 2010.

João parte. A tristeza e a melancolia saem dele. Mas a obra fica. Chega de saudade, João.


Assista abaixo a clássicos da obra de João Giberto:

Ricardo Pieralini

Ricardo Pieralini
É editor-executivo online de CartaCapital.

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