Cultura

Jards Macalé se mostra atual em show gravado em instalação de Oiticica

Registro feito em Inhotim há algumas semanas é um dos bons vídeos de música realizado durante a pandemia para se assistir na internet

Jards Macalé se mostra atual em show gravado em instalação de Oiticica
Jards Macalé se mostra atual em show gravado em instalação de Oiticica
Foto: Brendon Campos/Divulgação Foto: Brendon Campos/Divulgação
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A obra-instalação Invenção da Cor, Penetrável Magic Square #5, com suas nove paredes, de Hélio Oiticica (1937-1980), é um dos grandes trabalhos para se contemplar no Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG).

Jards Macalé, amigo do artista plástico, em novembro, gravou um show (sem público) ao ar livre junto à obra, que foi recém-restaurada. O registro está disponível no Youtube e é um dos bons vídeos de música feito durante a pandemia para se assistir na internet.

Macalé se apresenta ao lado de Pedro Dantas (baixo), Thomas Harres (bateria) e Guilherme Held (guitarra). O repertório é parte do contemporâneo álbum Besta Fera (2019) do músico e inclui as incômodas composições Vampiro de Copacabana (com Kiko Dinucci), Trevas, Pacto de Sangue (com Capinan), Meu Amor e Meu Cansaço (com Kiko Dinucci, Thomas Harres e Romulo Fróes) e Limite (com Ava Rocha).

Entre as músicas antigas (mas atuais nesse contexto perturbador de hoje) apresentadas, estão Só Morto, Farinha do Desprezo, Let’s Play That, Mal Secreto, Soluços e 75 Rotações. Com exceção de Soluços que fez sozinha, as outras são com parceiros, todos do movimento que também integrou, a Tropicália: Duda Machado, Capinan, Torquato Neto e Waly Salomão, além do próprio Hélio Oiticica.

No fim da provocativa apresentação, Jards Macalé em voz e violão e posicionado entre as paredes da obra-instalação de Oiticica em Inhotim, homenageia seu amigo com mais quatro músicas: The Archaic Lonely Star Blues (Jards Macalé e Duda Machado), A Noite do Meu Bem (Dolores Duran), É de Manhã (Caetano Veloso) e Só Assumo Só (Luiz Melodia).

O cantor e compositor conta que as músicas foram apresentadas porque constam em um bilhete escrito por Oiticica a ele, relatando uma noite de um encontro com a presença de um gaitista americano amigo do artista plástico, em que a música rolou solta com Macalé ao violão.

Várias canções estão relacionadas no bilhete e foram tocadas num longínquo dia de 1970, sendo que quatro delas o cantor selecionou para esse show gravado em Inhotim.

A homenagem termina com Juízo Final, de Nelson Cavaquinho e Élcio Soares, que Oiticica gostava de cantar: “O sol há de brilhar mais uma vez…” Sim, vai brilhar de novo, se Deus quiser.

O show gravado de Jards Macalé em Inhotim teve direção de Henrique Marques e a produtora foi a Área de Serviço.

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