Cultura

Humor subversivo

No grande cinema italiano dos anos 60 e 70, Marco Ferreri (1928-1997) ocupa um lugar à parte, para não dizer marginal

Marco Ferreri, diretor que usou anegra ironia como arma contra a alienação
Marco Ferreri, diretor que usou anegra ironia como arma contra a alienação
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No grande cinema italiano dos anos 60 e 70, Marco Ferreri (1928-1997) ocupa um lugar à parte, para não dizer marginal. Iconoclastas, provocadores, não raro escatológicos, seus filmes até hoje causam desconforto no público e perplexidade na crítica.

A própria trajetória profissional de Ferreri foi esquisita. Depois de abandonar o curso de Medicina, fez filmetes de propaganda para a firma de bebidas da qual era representante. Em 1950-1951, misto de jornalista e cineasta, participou da efêmera experiência do Documento Mensile, cinejornais mensais inovadores.

Participou também da produção do longa coletivo Amore in Città (53), mas logo se desiludiu do cinema e foi para a Espanha vender equipamentos de projeção. Foi lá que se associou ao escritor espanhol Rafael Azcona e voltou ao cinema, realizando seus primeiros longas, El Pisito (58), Los Niños (59) e El Cocherito (60), todos com roteiro de Azcona e mostrando já o humor negro que seria sua marca.

De volta à Itália, Ferreri engatou uma sequência de filmes polêmicos, quase todos tendo como tema a alienação do homem moderno, expressa em seus desajustes sexuais: O Leito Conjugal, Uma Mulher Incomum, O Dever Conjugal, Dillinger Está Morto, À Sombra do Vaticano, A Comilança. Quando sua verve parecia esgotada, emplacou seu maior sucesso de público, Crônica de um Amor Louco (1982), baseado em Bukowski, filmado nos Estados Unidos e estrelado por Ben Gazzara.

Sua última obra marcante, La Casa del Sorriso (1991), ganhou o Urso de Ouro em Berlim, mas não foi lançada no Brasil, o que diz muito sobre Ferreri e mais ainda sobre nosso triste mercado.

DVDs

Dillinger Está Morto (1969)


Desenhista industrial (Michel Piccoli) chega em casa tarde e encontra a mulher prostrada por uma dor de cabeça. Ele vai à cozinha fazer seu jantar, acha um revólver embrulhado num jornal de 1934 (que anuncia a morte do gângster Dillinger) e decide usá-lo. O acaso conduz esse teatro do absurdo e do vazio de Ferreri.

A Comilança (1973)


Um piloto (Marcello Mastroianni), um executivo de tevê (Michel Piccoli), um chefe de cozinha (Ugo Tognazzi) e um juiz (Philippe Noiret) reúnem-se numa casa de campo para comer, beber e fazer sexo com prostitutas até morrer. Elenco excepcional num filme estranho e fascinante, que Buñuel chamou de “grande tragédia da carne”.

Ciao Maschio (1978)


Luigi (Mastroianni) e Lafayette (Gérard Depardieu) trabalham num museu de cera em Nova York. Lafayette é oprimido por um grupo de teatro feminista e Luigi encontra nas margens do Hudson o “cadáver” de King Kong e um chimpanzé que ele crê ser filho órfão da fera e o leva para casa. Comédia feroz e absurda de Ferreri.

No grande cinema italiano dos anos 60 e 70, Marco Ferreri (1928-1997) ocupa um lugar à parte, para não dizer marginal. Iconoclastas, provocadores, não raro escatológicos, seus filmes até hoje causam desconforto no público e perplexidade na crítica.

A própria trajetória profissional de Ferreri foi esquisita. Depois de abandonar o curso de Medicina, fez filmetes de propaganda para a firma de bebidas da qual era representante. Em 1950-1951, misto de jornalista e cineasta, participou da efêmera experiência do Documento Mensile, cinejornais mensais inovadores.

Participou também da produção do longa coletivo Amore in Città (53), mas logo se desiludiu do cinema e foi para a Espanha vender equipamentos de projeção. Foi lá que se associou ao escritor espanhol Rafael Azcona e voltou ao cinema, realizando seus primeiros longas, El Pisito (58), Los Niños (59) e El Cocherito (60), todos com roteiro de Azcona e mostrando já o humor negro que seria sua marca.

De volta à Itália, Ferreri engatou uma sequência de filmes polêmicos, quase todos tendo como tema a alienação do homem moderno, expressa em seus desajustes sexuais: O Leito Conjugal, Uma Mulher Incomum, O Dever Conjugal, Dillinger Está Morto, À Sombra do Vaticano, A Comilança. Quando sua verve parecia esgotada, emplacou seu maior sucesso de público, Crônica de um Amor Louco (1982), baseado em Bukowski, filmado nos Estados Unidos e estrelado por Ben Gazzara.

Sua última obra marcante, La Casa del Sorriso (1991), ganhou o Urso de Ouro em Berlim, mas não foi lançada no Brasil, o que diz muito sobre Ferreri e mais ainda sobre nosso triste mercado.

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Dillinger Está Morto (1969)


Desenhista industrial (Michel Piccoli) chega em casa tarde e encontra a mulher prostrada por uma dor de cabeça. Ele vai à cozinha fazer seu jantar, acha um revólver embrulhado num jornal de 1934 (que anuncia a morte do gângster Dillinger) e decide usá-lo. O acaso conduz esse teatro do absurdo e do vazio de Ferreri.

A Comilança (1973)


Um piloto (Marcello Mastroianni), um executivo de tevê (Michel Piccoli), um chefe de cozinha (Ugo Tognazzi) e um juiz (Philippe Noiret) reúnem-se numa casa de campo para comer, beber e fazer sexo com prostitutas até morrer. Elenco excepcional num filme estranho e fascinante, que Buñuel chamou de “grande tragédia da carne”.

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