Gravadoras reencontram caminho do dinheiro; músicos buscam saída

Paul MacCartney, Robert Plant, Sting e outros artistas se movimentam para melhorar remuneração nas plataformas de streaming

Foto:  br.freepik

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Cultura

O que se iniciou como movimento pontual parece ter ganhado corpo na Inglaterra. Músicos de expressão global e inquestionáveis, como Paul McCartney, Chris Martin (Coldplay), Kate Bush, Jimmy Page, Robert Plant, Annie Lenox, Peter Gabriel, Boy George e Sting, assinaram uma carta aberta endereçada ao primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, para pedir mudanças na forma de remuneração de execução de músicas nas plataformas na internet, considerada pequena na percentagem destinada a artistas.

No Brasil, já houve manifestações aqui e acolá, mas nada comparado ao Reino Unido, de um movimento liderado por gente que nem precisaria estar se preocupando com isso, pois mesmo com a baixo pagamento de direitos, já arrecadam uma fortuna por mês por difusão de suas obras no chamado streaming.

Verifica-se que os serviços de música online e gravadoras não reclamam de faturamento. O primeiro é um player relativamente novo na internet e segue a trilha de outras gigantes do meio, criadas no ambiente virtual e que são alvos frequentes de reclamação de contrapartidas, como o Google e Facebook.

As gravadoras já tiveram em alta, perderam com a pirataria e o declínio dos negócios físicos (como o CD), e parece gostar do novo jogo. As gravadoras globais e as independentes migraram seu cast para as plataformas de streaming, investindo a sua conhecida força de marketing para impulsionar seus artistas – mas cobram preço alto por isso.

O faturamento das gigantes do setor aumentou muito com seu acervo e elenco no streaming e a pandemia consolidou ainda mais isso. Nos Estados Unidos, a remuneração considerada injusta por músicos de plataformas de streaming já foi parar na Justiça, mas o segundo levou a melhor. Isso denota que é preciso discutir regulamentação antes de mais nada.

Para se manter, serviços online de música, no entanto, precisarão renovar suas playlists com frequência, uma demanda natural do público, e o investimentos em artistas serão preponderantes para isso. O agente criativo dessa cadeia precisa ser remunerado a altura para continuar produzindo música.

É capaz de as gravadoras terem mais consciência sobre isso, devido ao longo histórico de relacionamento com o meio artístico. Mas, por enquanto, elas querem mesmo é o fim da gratuidade de algumas músicas disponíveis no streaming. Já se sabe que o aumento de assinantes nessas plataformas favorece seus negócios.

O mercado fonográfico se desgarrou de forma aguda do ambiente de mídia tradicional. Talvez esse tenha sido o motivo principal da Globo ter vendido esse ano a Som Livre, seu antigo braço na indústria da música, para a major Sony Music. A gravadora brasileira transformou-se em plataforma de lançamento de todos os projetos que envolviam música na TV Globo, como as telenovelas. Também mantinha um elenco de artistas.

A Globo hoje tenta manter seus negócios, desde a produção à circulação, com foco onde tem absoluto domínio e controle. E cada vez mais centraliza suas operações visando reduzir custos. A indústria fonográfica enfrenta uma disrupção forte, complexa de acompanhar, e não se enquadra mais à nova realidade onde a Globo quer estar.

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Jornalista há 25 anos, com passagem em diversas editorias. Foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

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