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Galinho no Brasil, samurai no Japão

Zico: O Samurai de Quintino é um tributo objetivo e pouco emocional do craque do Flamengo

Galinho no Brasil, samurai no Japão
Galinho no Brasil, samurai no Japão
O filme sobre Zico está em cartaz nas salas de cinema – Imagem: Redes Sociais/Flamengo
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A escolha do título indica o fio narrativo um tanto inusitado do documentário sobre Arthur Antunes Coimbra: Zico: O Samurai de ­Quintino. A referência remete ao momento no qual o jogador mais famoso na história do Flamengo foi para o Japão trabalhar no Kashima Antlers, clube até então inexpressivo. Era o começo dos anos 1990 e o time, a partir do momento em que o brasileiro se dedicou a ele, tornou-se um fenômeno na Ásia.

No começo do filme dirigido por João Wainer, que estreia nos cinemas na ­quinta-feira 30, Zico é visto como o estrangeiro que profissionalizou o futebol na cidade de Kashima e que, graças à conduta, disciplina e exigência técnica, inspirou gerações. Ele era visto, no país, como um “samurai”.

Na juventude, no Rio de Janeiro, ­Zico, franzino e cabeludo, tinha o apelido de ­Galinho de Quintino – por ter nascido e crescido no bairro de ­Quintino ­Bocaiuva. Wainer se concentra numa biografia cronológica de Zico – hoje com 73 anos – em meio a rememorações dele e de familiares, fotografias e documentos que retratam sua trajetória impressionante no futebol, com 508 gols pelo Flamengo entre 1971 e 1990 e passagens pela ­Copa do Mundo.

Há, além dos depoimentos, a interação do protagonista com alguns dos colegas e amigos da profissão. As inserções da ida para o Japão, volta e meia retornando ao filme, soam, por vezes, deslocadas – ainda mais porque a identificação de entrevistados é feita, com recorrência, em japonês e em português.

Wainer adota a postura de admirador respeitoso. Mesmo em passagens mais intensas, como a grave lesão no joelho esquerdo, sofrida pelo atleta em 1985, numa falta, e a perda do pênalti contra a França nas quartas-de-final da Copa do Mundo de 1986, no México, o filme mantém uma estrutura objetiva e pouco emocional.

O documentário se aproxima de ­alguma paixão mais forte na sequência em que Zico retorna ao Maracanã e relembra sua despedida do Flamengo, em 1990, num amistoso que reuniu mais de 90 mil pessoas no estádio.

Boa parte do encanto de Zico: O ­Samurai de Quintino vem das imagens de arquivo extraídas de fitas VHS, filmes em Super-8 e memorabilias, como a camisa 10 da final do Mundial de Clubes de 1981. A certa altura, o jogador é mostrado passeando com os netos pelo Rio de Janeiro, jogando bola com amigos e refletindo, sem modéstia, mas com humildade, sobre suas conquistas. João Wainer, santista declarado, fez um tributo bonito ao craque do Flamengo. •

Publicado na edição n° 1411 de CartaCapital, em 06 de maio de 2026.

Este texto aparece na edição impressa de CartaCapital sob o título ‘Galinho no Brasil, samurai no Japão’

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