Cultura

Feras radicais

Atuação destacada de Quvenzhané Wallis faz de “Indomável Sonhadora” um dos filmes mais vigorosos do ano

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Indomável Sonhadora


Benh Zeitlin

A pequena Hushpuppy criou um mundo próprio para lidar com os infortúnios de uma infância que está longe de ser aquela idílica para a idade. Tece longos monólogos, ou ainda, acredita conversar com um ser grandalhão que só ela vê. Seu cotidiano brutal justifica o esforço de imaginação. A menina cresce numa zona pantanosa da Louisiana, chamada nos Estados Unidos de bayou e para os moradores apelidada de banheira pelas constantes inundações que ali ocorrem. A força destruidora da natureza, no entanto, não é menor que o desprezo do pai viúvo e cada vez mais fragilizado, que à sua maneira tenta preparar a filha para a rudeza do destino. Este ambiente surpreendente e uma protagonista de tão pouca idade como Quvenzhané Wallis fazem de Indomável Sonhadora, estreia da sexta 22, um dos filmes mais vigorosos do ano.

O diretor Benh Zeitlin, que como sua notável pequena atriz está indicado ao Oscar, nos traz em sua estreia no longa-metragem uma façanha ao fixar sua câmera realista nessa comunidade esquecida e flagelada, ao mesmo tempo sofrida com o entorno e dele dependente para sobrevivência. Apesar das vicissitudes, o drama coletivo caminha para um sentido redentor quando um novo desafio se impõe, o que também é decisivo para uma revelação entre pai e filha. Essas feras de um território selvagem, como aponta o título original adaptado a uma versão nacional duvidosa, surgem condenadas na angústia daquela existência, mas como tal sabem perseverar nela.

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