Augusto Diniz | Música brasileira

Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

Augusto Diniz | Música brasileira

Em ritmo de samba-reggae, disco faz homenagem justa a Lazzo Matumbi

As composições de referências afro, exaltação ao negro e questões raciais são marcas do trabalho desse baiano

Lazzo Matumbi. Foto: Caio Lírio/Divulgação
Lazzo Matumbi. Foto: Caio Lírio/Divulgação
Apoie Siga-nos no

Já está disponível nas plataformas digitais de música Ainda Atrás do Pôr do Sol, tributo ao cantor e compositor baiano Lazzo Matumbi. O projeto foi realizado pelos DJs Peu Araújo e Bruno Komodo, do Rabo de Galo, e o produtor Ubunto. Vários artistas gravaram no disco.

O nome do álbum-homenagem faz referência ao disco Atrás do Pôr do Sol, lançado em 1988 por Lazzo Matumbi e que dignifica o orgulho negro. A sua carreira musical tem 40 anos, mas Lazzo é um ativista negro, o que faz seu trabalho reverberar ainda mais.

Lazzo Matumbi foi vocalista do Ilê Aiyê, na década de fundação desse importante bloco afro, em 1970. Desde o início da carreira, fundiu o samba ao reggae. No álbum-tributo Ainda Atrás do Pôr do Sol isso é muito ressaltado. O projeto foi patrocinado pela Natura Musical.

Abolição (Lazzo Matumbi e Capinan) abre o tributo com interpretação do cantor Nikima. A música fala da liberdade negra conquistada. A seguinte, uma parceria dele com Gileno Félix, Me Abraça e Me Beija (sucesso na voz de Margareth Menezes), e quem canta é Luedji Luna. Na canção, mesmo falando de amor, há citação ao dia da Consciência Negra, em 20 de novembro.

Cidade do Amor, que trata da negra Salvador, é interpretada pela revelação de Juazeiro Josyara. Em Mexa-se (Lazzo e Tení Versoza), outra música do disco-tributo, quem canta é o casal Anelis Assumpção e Curumin. O sentido de mexa-se desse reggae é o de despertar ao que taí.

A faixa-título de seu clássico álbum Atrás do Pôr do Sol, outra composição de Lazzo com Gileno Félix, a voz é de Fabriccio. Entre Mil Constelações, também da dupla Lazzo-Gileno, Fran canta esse reggae pesado de boas vibrações.

Na penúltima faixa, Lamento (Lazzo e Gileno), a voz é de Nara Couto: “Meu Deus, até quando a gente vai poder suportar / Uma falsa igualdade que sutilmente não nos concede o direito / Meu Deus, quanto tempo a gente ainda vai ter que esperar / Uma longa avenida livre de todos preconceitos”.

O trabalho fecha com Lá Vêm Os Homens (Lazzo e Gileno), com Larissa Luz. Na música, a preocupação com os atos dos homens.

Ano passado, Lazzo lançou seu nono disco, chamado Àjó. Uma das músicas gravadas é 14 de Maio, feita em parceria com o saudoso Jorge Portugal e que critica o pós-abolição da escravatura – o título da música é uma referência ao dia posterior ao da abolição, 13 de maio.

Lazzo é um digno representante da música em defesa da causa negra. É preciso exaltar esses personagens de longa luta.

Augusto Diniz

Augusto Diniz
Jornalista há 25 anos, com passagem em diversas editorias. Foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

Tags: , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Um minuto, por favor...

Apoiar o bom jornalismo nunca foi tão importante

Obrigado por ter chegado até aqui. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, que chama as coisas pelo nome. E sempre alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se este combate também é importante para você, junte-se a nós! Contribua, com o quanto que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo completo de CartaCapital.

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Um minuto, por favor...

Apoiar o bom jornalismo nunca foi tão importante

Obrigado por ter chegado até aqui. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, que chama as coisas pelo nome. E sempre alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se este combate também é importante para você, junte-se a nós! Contribua, com o quanto que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo completo de CartaCapital.