Edi Rock: ‘Racismo taí e é necessário falar sobre isso’

No terceiro álbum solo, rapper do Racionais MC’s reafirma o rap na linha de frente da contestação; leia a entrevista

Foto: Leonardo Muniz/Divulgação

Foto: Leonardo Muniz/Divulgação

Cultura

Perguntado se o rap tem o “grito” dos pretos, pobres e moradores da periferia, a resposta de Edi Rock vai além: “Na minha opinião não é só o grito, é a voz, a mente, o corpo, a alma e muito mais. Ele reflete a realidade de quem o vive, de quem se vê nele, independente de ser preto ou não”.

 

 

E emenda com versos: “O rap é o reflexo do momento e sempre será / O rap é a vanguarda / O rap é a linha de frente / O rap é a retaguarda”.

O rapper que fundou há 31 anos com Mano Brown, Ice Blue e KL Jay o Racionais MC’s, lançou seu terceiro trabalho solo intitulado Origens Parte 2 – Ontem, Hoje e Amanhã.

“Eu vejo esse álbum como uma continuação do Origens (lançado ano passado), um segundo tempo. Não vejo diferença em relação aos outros não. Na real, vejo a mesma cara, semelhantes em composição e produção”, diz.

São sete anos desde o primeiro, Contra Nós Ninguém Será (2013). “De lá para cá só vejo melhora. A minha música é um reflexo de quem eu sou e como eu estou. Eu acredito que sempre há uma evolução, se não é porque algo está errado”.

O álbum novo foi iniciado antes da pandemia: “Comecei a colher material ano passado. Venho guardando ideias, temas e beats desde 2019”.

Músicas como Vidas Negras, que inclusive tem um clipe, já é uma proposta antiga. “Eu queria rimar sobre essas ideias, que são ideias corriqueiras das nossas vidas, né? Racismo taí e é necessário falar sobre isso”.

Um trecho da letra de Vidas Negras: “Vidas negras importam vidas negras suportam / Vidas negras é ópio vigiadas por telescópio / Vidas negras de fúria vidas negras de injúria / Vidas negras da pura exclusão é óbito, é lógico”.

Diz que na pandemia teve tempo para se concentrar e criou material suficiente para outro projeto. “Gosto do que eu faço, da forma que faço. Tô num ritmo bom e mente boa, então é usar isso. Pra mim a música é igual felicidade, é momento.”

Na faixa Só Deus, que também tem clipe, a vida difícil entregue ao ser supremo: “Só Deus que decide quando você vai / Só Deus que decide quando você cai”.

A faixa-título, de Edi Rock em parceria com Anderson Franja, a letra forte e certeira: ”Vi uma missanga uma figa uma arruda uma muda / Uma bala na agulha amigo não se iluda / Falsos profetas vão guardando de 1 em 1 em 1 milhão / E você na fila do auxílio aguardando ilusão”.

Com 15 faixas, o álbum tem participação de Big da Godoi, Daniel Quirino, Thiaguinho, Flacko, MC Sombra, Guto GT, Lourena, Morcego, Jorge Du Peixe, MV Bill e Meaku.

Edi Rock fez um projeto mais introspectivo (provável reflexo da pandemia), sem esquecer as origens e o tom político-social. A força do rap segue intacta no seu trabalho.

 

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Jornalista há 25 anos, com passagem em diversas editorias. Foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

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