Cultura

“É Tudo Verdade” foca na política e reúne 66 filmes. Veja trailers

A 24ª edição do festival ocorre entre 4 e 14 de abril e será classificatória para o Oscar

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Foram mais de 1.600 títulos inscritos e apenas 66 filmes selecionados para participar da edição deste ano do “É Tudo Verdade”, festival de documentários que terá exibições com entrada franca a partir desta quinta-feira 4 em São Paulo e do dia 8 no Rio de Janeiro.

A competição, que conta com curtas e longa-metragens em categorias nacionais, latino-americanas e internacionais, está em sua 24ª edição e foi criada pelo crítico de cinema Amir Labaki.

Em São Paulo, as sessões ocorrem no Instituto Moreira Salles, no Itaú Cultural, no Centro Cultural São Paulo e no Sesc 24 de Maio. No Rio de Janeiro, as exibições serão no Instituto Moreira Salles e na Estação NET Botafogo.

Uma novidade fortalece a importância do prêmio: a partir desta edição, os longa-metragens premiados no festival serão automaticamente classificados para serem examinados ao Oscar do próximo ano. Anteriormente, apenas os curta-metragens tinham esse fluxo.

Além da programação normal, homenagens serão prestadas ao cineasta brasileiro Nelson Pereira dos Santos e ao documentarista francês Claude Lanzmann, em exibições de obras dos artistas. A seleção do brasileiro terá Casa Grande & Senzala e Raízes do Brasil. Do francês, As Quatro Irmãs, quatro filmes contando a história de sobreviventes do genocídio nazista.

Programação tem forte apelo político

Se as homenagens mostram temáticas sociais, os cenários políticos dão o tom na maioria da programação.

Apenas sobre conflitos no leste europeu há três longas competindo. Em Testemunhas de Putin (2018), o diretor Vitaly Mansky analisa os registros que fez duas décadas atrás, na transição russa de Boris Yeltsin para Vladimir Putin. Em Encontrando Gorbachev (2018), o septuagenário cineasta alemão Werner Herzog se junta a André Singer, cientista político e porta-voz da Presidência da República entre 2003 e 2007, para contar a história de Mikhail Gorbachev, ex-líder soviético.

Hungria 2018 – Bastidores da democracia (2018) anuncia em seu trailer que parte de sua equipe de produção não quis ter seus nomes revelados, com medo de repressão por denúncias ao governo. O filme acompanha o embate eleitoral de 2018 entre Viktor Orbán, atual primeiro-ministro húngaro, e Ferenc Gyurcsány, liderança socialista.

Ainda do lado oriental do globo, Defensora (2019) é o retrato de Lea Tsemel, advogada israelense que defende palestinos há cinco décadas. Ela é chamada de “advogada do diabo”.

Histórias do passado também retornam com questionamentos. O Caso Hammarskjöld (2019) explora a investigação, reaberta em 2015, da morte do secretário-geral das Nações Unidas em 1961.

A Beira (2018) promete ser um dos mais esperados do festival por acompanhar o ex-estrategista-chefe de Donald Trump, Steve Bannon, durante as eleições legislativas de 2018 dos EUA.

O cinema latino-americano

Para retratar a crise no sistema de saúde venezuelano, o longa Está Tudo Bem (2018) mostra a falta de medicamentos no país a partir de cinco pessoas: a dona de uma farmácia, um cirurgião, um ativista e dois pacientes.

Já o chileno Hoje e Não Amanhã (2018) reconstrói a história do movimento Mulheres pela Vida, formado por integrantes de diferentes tendências políticas em 1983, com o objetivo de combater a ditadura.

Também fruto de regimes autoritários, a produção uruguaia-brasileira A Liberdade é uma Palavra Grande (2018) registra a vida de um palestino de 38 anos que decide reconstruir a vida no Uruguai após ter passado 13 anos na prisão americana de Guantánamo.

As produções brasileiras

Memórias do Grupo Opinião (2019) relembra a história do grupo homônimo, derivado do Centro Popular de Cultura, front de resistência cultural na ditadura militar.

Constituintes de 88 (2019), um curta, lembra quem foram as 26 mulheres que imputaram as discussões de igualdade de gênero afim de garantir direitos sociais e políticos às na Constituição de 1988.

Nome de batismo (2019) explora a história de vida do pai da diretora do curta, Tila Chitunda. As lembranças permeiam a fuga da família da guerra civil angolana em 1970.

A relação com o exército também se encontra em duas produções. Em Soldado Estrangeiro (2019), três brasileiros vivem diferentes estágios do desafio de servir na Legião Estrangeira. Já Maria Luiza (2019) retrata a história da militar de nome homônimo, reconhecida como a primeira transexual das Forças Armadas, que após 22 anos de trabalho se aposentou por invalidez.

Thaís Chaves

Thaís Chaves
Estagiária de Jornalismo de CartaCapital.com.br

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