Cultura
Durão descartável
Em O Lugar Onde Tudo Termina, o diretor Nicolas Winding Refn resgata o tipo desregrado de Ryan Gosling, que vive um motociclista de globo da morte
O lugar onde tudo termina
Derek Clanfrance
Na figura do durão cool que se impôs sedutor em Drive e se desgasta no inédito e frustrante Only God Forgives, exibido no recente Festival de Cannes, Ryan Gosling atesta a dependência de um bom diretor. No caso desses dois títulos, foi o mesmo Nicolas Winding Refn a valorizar e depois sacrificar seu ator em um papel equivocado. Curioso que Derek Cianfrance faça o caminho contrário e com mais habilidade ao dirigi-lo em Namorados para Sempre (2010) e agora em O Lugar Onde Tudo Termina, estreia de sexta 21. A ponto de a horas tantas descartá-lo com precisão.
Para isso, o diretor recicla o tipo desregrado anterior de Gosling no personagem de um motociclista de globo da morte. Luke volta à cidade onde descobre ter um filho de uma antiga relação com Romina (Eva Mendes). Quer dinheiro para assumi-lo e passa a roubar bancos. Seu caminho cruza com o do policial interpretado por Bradley Cooper. Vem a tragédia e a primeira virada da trama, quando este último se ocupará de revelar a corrupção da polícia. Cianfrance tem o domínio do ardil dramático, ainda que não o destitua de alguma previsibilidade quando concede aos filhos de ambos os protagonistas a sequência da história.
2026 já começou
Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.
A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.
Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.
Assine ou contribua com o quanto puder.


