Doria corta verba da cultura em SP e Museu Afro Brasil pode fechar

Outros equipamentos culturais serão afetados pela medida anunciada pelo governo estadual

Doria corta verba da cultura em SP e Museu Afro Brasil pode fechar

Cultura

Após o corte de 22,95% do orçamento da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, anunciado em janeiro pelo governador João Doria (PSDB), o Museu Afro Brasil poderá ter as suas portas fechadas. É o que diz uma nota divulgada ontem pelos trabalhadores do local, que se reuniram para discutir estratégias para impedir o fechamento.

Além do Museu Afro Brasil, o corte de verba para a cultura afeta o custeio de outros equipamentos e programas culturais do Estado, como a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), a Biblioteca de São Paulo, a Pinacoteca de São Paulo, as Fábricas de Cultura, as Oficinas Culturais, a Escola de Música do Estado de São Paulo (Emesp Tom Jobim), o Museu da Imagem e do Som (MIS), o Theatro São Pedro e a São Paulo Cia. de Dança.

A redução de custos representa um total de 148 milhões de reais a menos no orçamento da área cultural do estado. O Museu Afro Brasil completa 15 anos de existência em 2019 e reúne um acervo com mais de 6 mil obras dos universos africanos e afro-brasileiros, abordando temas como trabalho, religião e história. Para Rafael Domingos, um dos coordenadores do núcleo de educação do museu, há “um impacto muito grande do que significaria o fechamento do museu em função do que ele representa para a memória negra brasileira. É uma conquista do povo brasileiro, sobretudo do movimento negro, que se organizou para pautar espaços de resistência e visibilidade. Seria uma perda irreparável.”

A direção do Museu reuniu os funcionários para informar que diante o decreto de Doria, a instituição talvez passe a funcionar somente três dias por semana. Mas os trabalhadores acreditam que as chances do fechamento são muito maiores.

Segundo Domingos, a instituição já vem sofrendo com problemas financeiros desde 2015, quando houve um corte de 12% dos recursos e demissões de funcionários. Ele explica que entre 2016 e 2018 não houve nenhum reajuste dos repasses da secretaria e isso fez com que muitos projetos, programas e atividades deixassem de existir.

Atualmente, a cultura recebe a menor fatia de verba do governo estadual, o que representa apenas 0,35%. “Isso significa que estamos falando de 600 milhões de reais, em média, para 600 municípios de São Paulo. É inviável”, reclama o coordenador.

Os funcionários, que temem não somente a demissão massiva como também a desvalorização cultural e artística do estado, estão se organizando para tentar reverter a situação. Na quinta-feira 4, uma comissão esteve na Assembleia Legislativa de São Paulo para uma audiência com o deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL). O grupo também está se mobilizando nas redes sociais e fazendo contato com a imprensa internacional.

 

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Estagiária de Jornalismo do site de CartaCapital

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