Documentário com rapper indígena alerta para o genocídio dos povos originários

Filme agora disponível no streaming, Meu Sangue é Vermelho mostra a covardia sofrida pelos indígenas na disputa de terra

Foto: Divulgação

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Cultura

Owerá ficou conhecido ao estender a faixa “Demarcação Já”, quebrando o protocolo ao participar no meio do campo da cerimônia da abertura da Copa do Mundo 2014, no Brasil. Já naquela época, com 13 anos, ele se engajava em causas de defesa dos indígenas.

Quatro anos depois, passou a lançar registros musicais. A forma de expressão foi o rap, gênero marcado por apresentar questões relacionadas ao universo dos oprimidos, como o seu.

Antes chamado de Kunumí MC, Owerá, hoje com 20 anos, é da etnia Mbyá-Guarani e vive na aldeia Krukutu, no extremo da zona sul de São Paulo. Teve contato com o rap aos 9 anos, por meio de seu irmão. Suas composições comumente chamam a atenção para a necessidade de demarcar e proteger as terras indígenas.

Após percorrer festivas pelo mundo e receber 17 prêmios, o documentário Meu Sangue É Vermelho (86 minutos), dirigido por Graci Guarani, Marcelo Vogelaar, Thiago Dezan e Tonico Benites, está agora disponível no streaming. O protagonista que se centra na defesa da terra indígena é o Owerá.

O documentário mostra a questão na ótica indígena, o que é ótimo para um país que tem enorme dificuldade de entender o que se passa com seus povos originários.

O filme é forte. Entremeados com rap interpretados por Owerá e a construção de uma parceria com o músico Criolo, o doc mostra o indígena visitando áreas de conflito de terras em Mato Grosso do Sul e Maranhão.

Os dramas vão surgindo a partir de armas de fogo usadas por jagunços e seguranças particulares de fazendeiros, enquanto índios os enfrentam com arco e flecha e boa dose de coragem. Relatos de indígenas expõem a promoção do genocídio de seu povo.

A inevitável pressão em Brasília para autoridades o defenderem, inclusive sobre o polêmico marco temporal e direito da terra, expõe o poder do agronegócio em impor seu desejo no destino de áreas historicamente ocupadas por índios.

Owerá faz participação no primeiro disco do DJ Alok, que terá forte influência da sonoridade indígena – o DJ, inclusive, teve em Brasília, assim como Owerá, nas manifestações de acompanhamento do julgamento do marco temporal pelo STF.

Em maio, ele lançou com outros rappers indígenas, Brô MCs e OzGuarani, a música Resistência Nativa, que tem um clipe com uma forte mensagem em defesa dos indígenas.

Com o documentário Meu Sangue É Vermelho, Owerá mostrou ao mundo como o extermínio de índios vai sendo promovido no Brasil nos dias de hoje.

 

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Jornalista há 25 anos, com passagem em diversas editorias. Foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

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