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Cinema de autor? Sim, mas seriado

O festival Varilux, dedicado à produção cinematográfica francesa, se abre também para as séries

As produções Jogos de Poder e A Corda, assinadas pelo canal público franco-alemão ARTE, serão exibidas nas salas de cinema em São Paulo e no Rio - Imagem: ARTE
As produções Jogos de Poder e A Corda, assinadas pelo canal público franco-alemão ARTE, serão exibidas nas salas de cinema em São Paulo e no Rio - Imagem: ARTE
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O Festival Varilux, dedicado ao cinema francês, irá, pela primeira vez, incluir séries em sua programação. Serão, ao todo, sete seriados exibidos nas salas de cinemas de São ­Paulo e do Rio de Janeiro até o dia 6 de julho.

Embora a projeção de séries na tela grande não chegue a ser uma novidade – para ficar em um exemplo francês, basta lembrar de O Pequeno Quinquin, de ­Bruno Dumont, que integrou a programação da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo em 2014 –, sua forte presença na programação recente dos festivais de cinema é indicativa da diluição de fronteiras no audiovisual.

Se, para o espectador, já faz muito tempo que o formato pouco importa, para o mercado, não é bem assim.

São os longas-metragens, afinal de contas, que, há décadas, mantêm as salas de cinema abertas e estruturam a lógica das janelas – um filme começava sua carreira nos cinemas e seguia depois para a TV paga, a TV aberta etc. Isso tudo tornava sustentável a cadeia do audiovisual. Com o streaming, as regras mudaram e o eixo de força foi deslocado.

“Nas séries, não vivemos as dificuldades enfrentadas pelo cinema”, diz o produtor Alexandre Piel, responsável pela produção de séries no canal franco-alemão ARTE, cuja história está diretamente relacionada com o cinema de autor.

Ou seja, mesmo no país símbolo da cinefilia e no campo de cinema de arte, as séries mostram extremo vigor enquanto os longas-metragens lutam para reencontrar o público após a pandemia.

As bilheterias, na França, foram 34% menores nos primeiros meses de 2022 do que haviam sido no mesmo período em 2019 e o público está absolutamente concentrado nos blockbusters – exatamente como aqui. O país, que tem uma das políticas mais rígidas em relação às janelas, acabou, inclusive, de sofrer um boicote da Disney.

Este mês, a companhia norte-americana informou que lançaria a animação Mundo Estranho, diretamente na Disney +, em protesto contra a janela de 17 meses imposta pelo país para a chegada de um filme ao streaming. Hoje, a média de tempo de espera entre o lançamento de um filme nos cinemas e sua chegada a uma plataforma tem sido de 45 dias.

Enquanto isso, a ARTE, que lançou sua plataforma de streaming em 2020, vê seu público crescer e suas séries viajar. Das séries que serão exibidas pelo Festival ­Varilux, duas foram produzidas pelo canal que é também uma grife: Jogos de ­Poder e A Corda. “As fronteiras se expandiram muito e a circulação das séries se tornou muito mais fácil”, diz Piel, com um otimismo que contrasta, na França, com o dos seus pares do cinema. •

PUBLICADO NA EDIÇÃO Nº 1214 DE CARTACAPITAL, EM 29 DE JUNHO DE 2022.

Este texto aparece na edição impressa de CartaCapital sob o título “Cinema de autor? Sim, mas seriado”

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Ana Paula Sousa

Ana Paula Sousa
Editora de Cultura da edição impressa de CartaCapital. Doutora em Sociologia pela Unicamp.

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