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Capricho da deusa Fortuna

A Internazionale foi nitidamente superior, mas nem sempre os melhores ganham

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Pep Guardiola teve mesmo motivos para agradecer aos céus – Imagem: Franck Fife/AFP
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A despeito da incompreensível torcida da crônica esportiva brasileira, o Manchester City demostrou apenas a desmedida sorte de seu treinador Pep Guardiola no confronto contra a Internazionale de Milão. Em toda a partida, o quadro italiano foi superior e o gol marcado para assinalar a vitória inglesa somente serviu para provar que nem sempre os melhores ganham.

Enquanto o ataque milanês atingia o madeirame do gol inglês três vezes ao longo da contenda, sem contar dois gols perdidos quando seria mais fácil marcá-los, a defesa do clube italiano conseguiu anular o norueguês Erling Haaland, o goleador do Manchester City. Com a tarefa facilitada pela contusão do belga Kevin De Bruyne, habilidoso atleta do clube inglês que precisou ser substituído ainda no primeiro tempo, Nicolò Barella dominou o meio-campo, assumindo a condição de melhor jogador do embate.

O escore limitado foi atribuído pela torcida dos especialistas nativos ao arguto lance do jogador que se desloca para conseguir o tiro fatal do volante ­Rodri, companheiro mais bem situado. Até a pedra carioca da Gávea percebe que nada disso aconteceu. O chute de Bernardo Silva jamais alcançaria o gol. O jogador destinado a receber a bolada buscou evitar o choque e, por acaso, cedeu o passe que consagrou o resultado final.

O gol solitário sagrou o campeão da Champions League, mas foi fruto de um evidente lance de sorte, aleatório. ­Guardiola, ao terminar o jogo, ergueu os braços em direção ao céu. Tinha mesmo motivos para agradecer. •

Publicado na edição n° 1264 de CartaCapital, em 21 de junho de 2023.

Este texto aparece na edição impressa de CartaCapital sob o título ‘Capricho da deusa Fortuna’

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