Álbum renova sambas de sotaque interiorano e influência afro

Trabalho com composições de Henry Durante e João Fernandes propõe nova sonoridade além da batucada conhecida do gênero

Henry Durante e João Fernandes. Foto: Divulgação

Henry Durante e João Fernandes. Foto: Divulgação

Cultura

Os compositores João Fernandes e Henry Durante são ligados ao Núcleo de Samba Paulista Bumbo do Japi, de Jundiaí (SP), formado há quase 10 anos com influências do samba rural – aliás, o projeto tem um CD lançado em 2018 bastante representativo sobre o tema.

Agora, os dois apresentam o álbum Apará com repertório de sambas com características interioranas em letra e música, resgatando os batuques das vertentes do gênero, mas propondo uma sonoridade renovada, com leve percussão e valorização de violões e o piano. O resultado é um trabalho original da matriz musical paulista.

“É a principal marca de nosso trabalho. Foi assim com o nosso projeto Bumbo do Japi. Uma roupagem na qual a elaboração das letras é acompanhada pela valorização harmônica e diálogo com bases rítmicas que trazem a influência dos batuques de terreiro, tais como o samba rural paulista, o jongo e os toques do candomblé”.

 

 

Neste novo álbum, Henry Durante e João Fernandes optam por aprofundar este caminho estético que já vinha construindo no Bumbo do Japi. Nesse aspecto, o violão de Léo Costa, que também fez os arranjos e produção musical do álbum, e o piano de Lincoln Antônio merecem os devidos aplausos. João Fernandes é intérprete do disco em algumas faixas. Em outras, quem canta é Roberta Oliveira, Consuelo de Paula e Jordanna. A cantora portuguesa Joana Reais faz duo com João Fernandes.

Completam o time de instrumentistas Neymar Dias (viola caipira), Luiz Felipe (cavaquinho) e Cássio Soares (Percussão). No coro, as irmãs Jussara Otaviano e Jurema Otaviano, além de Gregory Andreas e Cadu Ribeiro.

O álbum é composto pelas seguintes composições: Oxum Apará (João Fernandes e Henry Durante), Ladeia (Henry Durante e Márcio Policastro), Benjoim (Cláudio Soares e João Fernandes), Canção Menina (poesia de Henry Durante e música de Léo Costa), Canção Ribeira (Henry Durante e Consuelo de Paula), Princesa do Ayoka (Henry Durante e João Fernandes), Novo Lar (Henry Durante e Jordanna), Ditado Comum (Henry Durante e João Fernandes), Vem, Morena (Henry Durante e João Fernandes) e Cada Um de Nós (Henry Durante e João Fernandes).

Henry Durante compôs um rico acervo de manifestações populares construído ao longo de quase 20 anos, que disponibiliza ao público pelo seu projeto Acervo das Tradições na internet. Henry criou seu selo independente Candombe Cultura e Arte, em que já gravou 13 CDs e dois livros-CD de comunidades de tradição oral de matriz afro-brasileira, indígenas, caiçaras e caipiras e contadores de histórias.

João Fernandes já participou de várias bandas e projetos musicais. É proprietário de uma escola de música no bairro Jardim Tulipas, em Jundiaí, e atua como professor de canto popular e violão.

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Jornalista há 25 anos, com passagem em diversas editorias. Foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

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