Cultura
A dama da voga musical
Dona Onete, a bordo de saborosa voz amarfanhada, surpreende pelo domínio de múltiplos estilos
Por Tárik de Souza
Feitiço Caboclo
Dona Onete
Na Music
Estado onde o brega foi adotado sem eufemismos e ainda acoplado à tecnologia de ponta, o Pará vive sua voga musical, impulsionada pela manipulação oportunista da mídia de massa. Mas há trigo no meio deste joio de cartas marcadas. Ex-secretária de Cultura de Igarapé-Miri e professora de História e Estudos Paraenses, Ionete da Silveira Gama, a Dona Onete, 73 anos, a bordo de saborosa voz amarfanhada, surpreende pelo domínio de múltiplos estilos em sua estreia nacional. Abarrotado de convidados da cena paraense, das estrelas pop Gaby Amarantos e Keila Gentil (Gang do Eletro) à percussão castiça do Trio Manari, e guitarras de Mestre Vieira, Pio Lobato e do produtor Marco André, o CD autoral Feitiço Caboclo é uma espécie de cornucópia da música da região. Turbinados pelos sopros de Humberto Araújo, desfilam dos miscigenadores Balanço Criolo (lá pelo mar do Caribe eu velejei/lá encontrei um ritmo louco/dominicano pra se dançar/tambor de crioula) e Carimbó Chamegado (Lá o branco, o negro, o índio/ deixou tudo misturado) ao Boi Guitarreiro e a Homenagem aos Orixás.
Descoberta há apenas 12 anos pelos jovens do Coletivo Rádio Cipó, de Belém, Dona Onete também não abre mão da sonoridade brega (Poder de Sedução), investe sem pudores no sentimentalismo (Rio de Lágrimas)
e na sensualidade (Moreno Morenado, Louco Desejo). Lança mão do jambu, tempero causador de dormência
na boca, para injetar malícia em Jamburana (o tremor vai descendo, vai descendo) ao jeito do maranhense João do Vale, no clássico do duplo sentido Peba na Pimenta. O mapa musical do País anexa novo território.
Por Tárik de Souza
Feitiço Caboclo
Dona Onete
Na Music
Estado onde o brega foi adotado sem eufemismos e ainda acoplado à tecnologia de ponta, o Pará vive sua voga musical, impulsionada pela manipulação oportunista da mídia de massa. Mas há trigo no meio deste joio de cartas marcadas. Ex-secretária de Cultura de Igarapé-Miri e professora de História e Estudos Paraenses, Ionete da Silveira Gama, a Dona Onete, 73 anos, a bordo de saborosa voz amarfanhada, surpreende pelo domínio de múltiplos estilos em sua estreia nacional. Abarrotado de convidados da cena paraense, das estrelas pop Gaby Amarantos e Keila Gentil (Gang do Eletro) à percussão castiça do Trio Manari, e guitarras de Mestre Vieira, Pio Lobato e do produtor Marco André, o CD autoral Feitiço Caboclo é uma espécie de cornucópia da música da região. Turbinados pelos sopros de Humberto Araújo, desfilam dos miscigenadores Balanço Criolo (lá pelo mar do Caribe eu velejei/lá encontrei um ritmo louco/dominicano pra se dançar/tambor de crioula) e Carimbó Chamegado (Lá o branco, o negro, o índio/ deixou tudo misturado) ao Boi Guitarreiro e a Homenagem aos Orixás.
Descoberta há apenas 12 anos pelos jovens do Coletivo Rádio Cipó, de Belém, Dona Onete também não abre mão da sonoridade brega (Poder de Sedução), investe sem pudores no sentimentalismo (Rio de Lágrimas)
e na sensualidade (Moreno Morenado, Louco Desejo). Lança mão do jambu, tempero causador de dormência
na boca, para injetar malícia em Jamburana (o tremor vai descendo, vai descendo) ao jeito do maranhense João do Vale, no clássico do duplo sentido Peba na Pimenta. O mapa musical do País anexa novo território.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.
O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.
Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.
Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.



