6 vezes em que o governo Bolsonaro atacou o cinema e o audiovisual

Ironicamente, ‘Democratização do acesso ao cinema no Brasil’ foi o tema sobre o qual os estudantes escreveram na redação do Enem

Cena de Bruna Surfistinha, filme que incomodou o presidente Bolsonaro (Foto: Reprodução)

Cena de Bruna Surfistinha, filme que incomodou o presidente Bolsonaro (Foto: Reprodução)

Cultura

O tema da redação do Enem 2019 foi “Democratização do acesso ao cinema no Brasil”. Não demorou muito para que o assunto começasse a repercutir nas redes sociais, com uma onda de críticas à escolha diante do desmonte da indústria do audiovisual promovida pelo governo Bolsonaro. A seguir, relembre seis vezes em que o atual presidente atacou a cultura e especialmente o cinema nacional.

Bruna Surfistinha e Ancine em Brasília

Em julho, Bolsonaro anunciou a transferência da direção da Ancine do Rio de Janeiro para Brasília. A ideia era que o governo tivesse mais influência sobre o órgão, mas o que ficou claro foi a intenção de Bolsonaro de interferir na escolha dos filmes incentivados pelo órgão. Ele disse que o Brasil não pode mais financiar com dinheiro público filmes como “Bruna Surfistinha”, produção de 2011 que narra a história de uma garota de programa. “Não posso admitir que, com dinheiro público, se façam filmes como o da ‘Bruna Surfistinha’. Não dá. Não somos contra essa ou aquela opção, mas o ativismo não podemos permitir em respeito às famílias. É uma coisa que mudou com a chegada do governo”, disse. A mudança de endereço, no entanto, ainda não aconteceu.

Ancine por um fio

Também em julho, Bolsonaro anunciou durante uma transmissão ao vivo em sua rede social que estudava a extinção da Agência Nacional do Cinema. O presidente deu a declaração após criticar a informação sobre a liberação de 530 mil reais em verbas, pela Ancine, para a produção de um filme sobre ele e evidenciou que a transferência da sede da agência para Brasília era um primeiro passo para a extinção do órgão.

Orçamento cortado

Em setembro, uma canetada do presidente reduziu a principal fonte de fomento de produções audiovisuais no País. Para 2020, o governo propôs um projeto ao poder legislativo que corta em 43% o orçamento do Fundo Setorial do Audiovisual. É a menor dotação nominal para o fundo desde 2012, quando ele recebeu 112,36 milhões. O projeto prevê, também, a maior redução na captação de recursos por meio de participação em empresas e projetos. Em 2020, esse orçamento passará de 650 milhões para 300 milhões.

 

Estreia de “Marighella” cancelada

A cinebiografia do guerrilheiro comunista Carlos Marighella chegaria aos cinemas brasileiros em 20 de novembro, dia da Consciência Negra, mas teve a estreia cancelada após a Ancine recusar dois recursos da produtora, em agosto. No primeiro pedido, a O2 solicitava ressarcimento no valor de 1 milhão de reais investidos na realização da produção, no entanto, a agência decidiu não reembolsar. Segundo a diretoria da Ancine, o pedido foi negado porque os recursos pelos quais a produtora pede reembolso são parte da receita já aprovada para o projeto. Não poderia haver ressarcimento, portanto, com verbas públicas. No segundo pedido, a empresa pedia que fossem reavaliados os prazos de investimento na comercialização do filme.

Nada de apoio para filmes LGBT

Em setembro, a Ancine suspendeu o termo de permissão que dava aos produtores dos filmes “Greta” e “Negrum3” uma ajuda de custo de 4,6 mil reais, para cada, com o objetivo de que os filmes participassem do Festival Internacional de Cinema Queer, em Lisboa. A agência havia aprovado a concessão de apoio financeiro para os filmes três semanas antes. Os longas tratam sobre homossexualidade e negritude. “Greta” é estrelado por Marco Nanini e fala sobre um enfermeiro homossexual que é fã da atriz Greta Garbo. Já os produtores de “Negrum3” definem a trama como “um ensaio sobre negritude, viadagem e aspirações espaciais dos filhos da diáspora”.

Séries LGBTs barradas

Em agosto, o ministro da Cidadania, Osmar Terra, decidiu barrar o processo de seleção de séries com temática LGBT+ pré-selecionadas para um edital para TVs públicas. Foi acusado de censura pelo Ministério Público Federal e em outubro a justiça determinou que a Ancine retomasse a produção das séries.

 

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