O presidente alterna ameaças com anúncios de negociações em andamento e afirmou, na terça-feira, que a guerra poderia terminar em “duas, talvez três semanas”.
Trump disse que o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, “acaba de pedir aos Estados Unidos da América um CESSAR-FOGO!”.
Mas na mesma publicação, assegurou que só vai considerá-lo “quando o Estreito de Ormuz estiver aberto, livre e desocupado”. Caso contrário, o Irã será bombardeado.
O bloqueio desta via crucial para o comércio mundial de hidrocarbonetos provocou uma forte alta nos preços da energia, o que põe Trump sob pressão em um ano de eleições de meio de mandato.
Horas depois, o Irã desmentiu que tivesse pedido uma trégua. “As declarações de Trump sobre um pedido de um cessar-fogo do Irã são falsas e infundadas”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, citado pela TV estatal do país.
A guerra, desencadeada em 28 de fevereiro pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, deixou milhares de mortos e provocou bombardeios iranianos contra países do Golfo e Israel, além de novos confrontos no Líbano entre Israel e o movimento pró-iraniano Hezbollah.
A Guarda Revolucionária do Irã reafirmou nesta quarta-feira que o Estreito de Ormuz permaneceria fechado “aos inimigos” do país, e confirmou que atacou um petroleiro no Golfo.
O presidente iraniano havia evocado, na terça-feira, a vontade de “pôr fim” à guerra, mas exigiu garantias e reiterou pedidos, como o pagamento de compensações financeiras.
Novos bombardeios sacudiram a capital iraniana nesta quarta-feira, causando danos ao muro da antiga embaixada americana, um local simbólico da hostilidade entre os dois países.
O comando central do Exército do Irã anunciou uma nova série de ataques com mísseis e drones contra Israel e bases militares dos Estados Unidos no Golfo, sem relatos de impactos diretos.
Londres anunciou para amanhã uma reunião virtual com a participação de cerca de 30 países dispostos a garantir a segurança no Estreito de Ormuz após o fim das hostilidades.
“A campanha não terminou”
Com a esperança de uma desescalada, os mercados se recuperaram na terça-feira. O barril de petróleo Brent caiu e voltou a se situar perto dos 100 dólares.
No entanto, as repercussões econômicas do conflito continuam e o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, advertiu que “os próximos meses poderiam não ser fáceis” pelo impacto da guerra.
No Golfo, diversos países voltaram a ser alvos de bombardeios iranianos.
Nos Emirados Árabes Unidos, um bengalês morreu e um cidadão indiano ficou ferido com fragmentos após a interceptação de drones. No Kuwait, o Banco Nacional anunciou o fechamento de sua sede central durante dois dias por causa dos ataques.
Israel, por sua vez, anunciou que continua a bombardear o Irã com uma “onda de ataques de grande alcance” na capital, onde jornalistas da AFP ouviram fortes explosões.
Segundo a agência Mehr, vários prédios residenciais foram atingidos por projéteis, deixando feridos.
Em Teerã, milhares de iranianos compareceram, nesta quarta-feira, ao funeral do comandante da Marinha da Guarda Revolucionária.
“Vingança!”, dizia em inglês um cartaz levado por uma criança.
Em Israel, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu assegurou que “a campanha não terminou”. Seu país segue sendo alvo de disparos de mísseis iranianos e os serviços de emergência reportaram 14 feridos.
Israel também sofreu um novo ataque dos huthis, grupo rebelde do Iêmen aliado do Irã, o terceiro desde que os insurgentes se somaram ao conflito, no fim de semana passado.
No Líbano, um total de 1.318 pessoas morreram desde 2 de março, quando começou a guerra entre Israel e o movimento pró-iraniano Hezbollah, anunciou o Ministério da Saúde do país.
O Hezbollah arrastou o Líbano para a guerra, disparando mísseis contra Israel para vingar a morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, falecido no primeiro dia da guerra.
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, advertiu que seu país tem a intenção de ocupar uma parte do sul do Líbano quando a guerra tiver terminado.


