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Rio: Anistia Internacional cobra explicações do governo e do MP sobre chacina na Vila Cruzeiro

A operação, que deixou 25 mortos, já é a segunda mais letal do estado, atrás apenas da chacina no Jacarezinho

Blindado da polícia no meio da Vila Cruzeiro — Foto: Reprodução/TV Globo
Blindado da polícia no meio da Vila Cruzeiro — Foto: Reprodução/TV Globo
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A Anistia Internacional, organização de defesa dos direitos humanos, oficiou o governo do Rio de Janeiro, o Ministério Público Federal e o Ministério Público estadual a darem explicações sobre a chacina na Vila Cruzeiro. Na terça feira 24, uma operação conjunta do Batalhão de Operações Especiais e da Polícia Rodoviária Federal deixou 25 mortos.

A organização aponta que há três meses oito pessoas foram mortas no mesmo território depois de outra incursão das forças de segurança pública. “É inadmissível que, neste curto período, ao menos trinta pessoas tenham sido mortas no escopo de operações policiais realizadas no Complexo da Penha, com prévia notificação ao MPRJ.”

A operação desta terça é a segunda mais letal do estado, atrás apenas da chacina do Jacarezinho, em maio do ano passado, que deixou 28 vítimas. Levantamento feito em conjunto pelo Instituto Fogo Cruzado e pelo Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos, da UFF, ainda mostra que, em apenas um ano, durante a gestão do governador Cláudio Castro (PL), foram registradas 180 mortes em 39 chacinas.

Além disso, a incursão policial contraria decisões do STF para diminuir a letalidade policial no estado, entre elas a suspensão de operações policiais nas comunidades durante a pandemia da Covid-19, salvo em casos excepcionais e justificados por escrito.

“O governador deve explicações a toda a sociedade, em especial aos 200 mil moradores da Vila Cruzeiro, que estão sob forte impacto emocional e psíquico diante do terror vivido de mais uma chacina”, cobra a Anistia Internacional, que acrescenta:

“Já o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro deve explicar por que não impediu que uma operação com tamanho nível de letalidade tenha sido realizada. O órgão confirmou que foi notificado sobre a operação. A Anistia Internacional Brasil pergunta ao Ministério Público: o que significa esta notificação? É urgente que a sociedade saiba para que serve esse comunicado se o Ministério Público falha em exercer controle externo sobre a atuação policial”.

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