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Polícia põe sigilo de cinco anos em documentos sobre operação no Jacarezinho

Ação, que deixou 28 pessoas mortas, incluindo um agente policial, foi considerada a mais letal da história do Rio de Janeiro

Polícia põe sigilo de cinco anos em documentos sobre operação no Jacarezinho
Polícia põe sigilo de cinco anos em documentos sobre operação no Jacarezinho
(FOTO: MAURO PIMENTEL / AFP)
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A Polícia Civil do Rio de Janeiro colocou sob sigilo de cinco anos todos os documentos encaminhados ao Ministério Público estadual sobre a operação na Favela do Jacarezinho, no dia 6 deste mês, que deixou 28 pessoas mortas, incluindo um agente policial. A operação foi considerada a mais letal da história do estado.

Em resposta ao G1, que solicitou acesso aos documentos via Lei de Acesso à Informação, a polícia encaminhou um ofício, assinado subsecretário de Planejamento e Integração Operacional da Polícia Civil, Rodrigo Oliveira, em que informa sobre o sigilo dos materiais, pelo risco de comprometer outras atividades de investigação.

Após a operação, moradores da comunidade denunciaram invasão de casas, confisco de celulares e execuções de supostos suspeitos após terem se rendido.

O Supremo Tribunal Federal adiou o julgamento de uma ação que trata das operações policiais no contexto da pandemia da Covid-19. O recurso foi apresentado pelo PSB e por organizações dos direitos humanos que questionam a letalidade policial. A votação foi adiada depois que o ministro Alexandre de Moraes pediu vista, ou seja, mais tempo para análise do tema. Ainda não há data para retomada do julgamento.

Em nota, a organização Human Rights Watch criticou a decisão, apontou um “claro indício de conflito de interesses” por parte da Polícia Civil e pediu pela revisão da classificação por parte de “autoridade independente”.

“No mesmo dia da operação, o comando da Polícia Civil declarou que não houve nenhum abuso, mesmo antes dos policiais envolvidos registrarem a ocorrência. É difícil acreditar que a motivação para decretar o sigilo é verdadeiramente proteger uma investigação cuja conclusão eles já anteciparam”.

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