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PF deve propor ao BC limite de saque, na véspera da eleição, para coibir compra de votos
No primeiro turno, foram registradas mais de 300 ocorrências de crimes eleitorais e mais de 22 milhões de reais em espécie apreeendidos
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, afirmou nesta segunda-feira 7 que a corporação deve propor ao Banco Central nesta semana um limite para o saque de dinheiro às vésperas do segundo turno das eleições municipais. As declarações foram dadas em entrevista à GloboNews.
A iniciativa, que também será levada à Federação dos Bancos do Brasil (Febraban), tem o objetivo de evitar compra de votos no pleito. Segundo o diretor-geral, essa restrição é adotada em outros países nos dias que antecedem as votações.
“Não é admissível um cidadão, às vésperas [da eleição, que] saque 5 milhões de reais em espécie e saia circulando de maneira natural. Isso nos traz esse desafio”, destacou Rodrigues, em referência ao caso de um coronel da Polícia Militar do Pará preso no final de semana sob suspeita de compra de votos.
No primeiro turno, foram registradas mais de 300 ocorrências de crimes eleitorais. “Este ano foi recorde de apreensão de bens e valores. Foram mais de 22 milhões de reais [em espécie] e de mais de 50 milhões em bens apreendidos”, completou Rodrigues.
Em todo o Brasil, as polícias estaduais contabilizaram quase 920 ocorrências deste tipo. Os dados, afirmou o diretor-geral da PF, demonstra haver “um fato engajado e integrado fazendo que o cidadão tenha mais tranquilidade para o processo democrático” com ações policiais para coibir a compra de voto.
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