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Oposição critica MP da Eletrobras; liberais e bolsonaristas defendem privatização

Oposição critica MP da Eletrobras; liberais e bolsonaristas defendem privatização

Parlamentares contrários à medida a classificam como 'criminosa' e 'escandalosa'

Empresa Eletrobras está na mira das privatizações. Foto: Reprodução

Empresa Eletrobras está na mira das privatizações. Foto: Reprodução

Houve reações distintas entre políticos à apresentação da Medida Provisória 1.031/2021, que dá os passos iniciais para a privatização da Eletrobras, estatal de energia. Enquanto a oposição de esquerda critica o texto, os liberais e a extrema-direita aplaudem o gesto do presidente Jair Bolsonaro.

Vice-líder da Minoria, o deputado federal Afonso Florence (PT-MG) observa que a MP cria apenas uma base legal para a criação da “modelagem” do processo de venda de ações, ou seja, não transfere diretamente o controle da empresa para a iniciativa privada.

“Não é uma transferência de controle acionário pura e seca, acho que aí tem um pouco de marketing do presidente da República em relação ao mercado”, avalia Florence a CartaCapital. Ainda assim, o petista critica o texto por dar os primeiros passos para a privatização.

 

“Somos contra porque a Eletrobras é uma empresa estratégica. Essa MP é um início incipiente de uma possível privatização. Vamos trabalhar para que não ocorra”, diz Florence.

 

Também da ala mineira da bancada petista na Câmara, Rogério Correia rejeita a tese de que a MP é “tímida” e diz que o texto é “criminoso”, por abrir a brecha para a privatização. O deputado critica ainda os procedimentos adotados pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que já anunciou que o tema será pauta na semana que vem.

“Ele atropela o processo de discussão. Tem que ter audiências públicas e haver um debate com a sociedade. A pressa do Arthur Lira em prestar serviço ao Bolsonaro nos assusta muito”, afirmou o deputado.

Glauber Braga (PSOL-RJ) chama a MP de “escandalosa”, por abrir mão do controle do sistema energético e, por consequência, da soberania no setor. Para o deputado, o texto aumenta a dependência do Brasil de corporações internacionais.

“Bolsonaro coloca em prática sua política de desmonte. Não podemos aceitar como fato consumado a aprovação de uma matéria destrutiva como essa”, disse o parlamentar.

 

 

Do outro lado, as deputadas bolsonaristas Carla Zambelli (PSL-SP) e Bia Kicis (PSL-DF) defenderam o projeto nas redes sociais. Zambelli chamou o ato de Bolsonaro de “golaço”.

Marcel Van Hattem (Novo-RS) escreveu que a privatização é solução para a Eletrobras, a Petrobras, o Banco do Brasil e demais estatais. “Todos os países no mundo que seguiram o caminho da estatização ficaram pobres”, escreveu.

O tucano Pedro Vilela (PSDB-AL) também defendeu o projeto: “O Estado deve se dedicar às suas atribuições essenciais, como saúde, educação e segurança. Há mais de duas décadas a privatização das teles permitiu redução de preços e acesso ao serviço. Esse é o caminho!”, disse, em sua rede social.

Salim Mattar, que se demitiu do Ministério da Economia pela lentidão das privatizações, disse que o envio do projeto colocou o governo no “rumo certo”. Já Rodrigo Maia (DEM-RJ), ex-presidente da Câmara e também defensor da privatização, disse que “a MP é pura enrolação”, por crer que o texto é insuficiente.

 

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Repórter do site de CartaCapital

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