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‘Nunca atuou nessa clínica’, diz filha de médico citado em laudo falso de Marçal

Aline Garcia Souza indicou que assinatura do pai foi fraudada no documento

‘Nunca atuou nessa clínica’, diz filha de médico citado em laudo falso de Marçal
‘Nunca atuou nessa clínica’, diz filha de médico citado em laudo falso de Marçal
Créditos: Reprodução/Lourival Ribeiro e Rogerio Pallatta/SBT
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Ao divulgar um laudo falso relacionando o candidato à Prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos (PSOL), ao uso de drogas, o também candidato Pablo Marçal (PRTB) citou que o documento teria sido assinado pelo médico José Roberto de Souza, da clínica “Mais Consultas”, na zona sul da capital paulista.

Entre vários pontos que indicam a falsidade do documento, segundo a própria Justiça, um deles é o próprio fato de que o médico citado sequer atendia na clínica mencionada por Marçal.

É o que diz a filha dele, Aline Garcia Souza, que também é médica. Em entrevista à TV Globo, neste sábado 5, ela indicou que o pai jamais atendeu na “Mais Clínica” e, além disso, no período mencionado no documento falso – janeiro de 2021 -, ele já não atendia mais pacientes, por conta do seu estado de saúde. 

“Nunca atuou nessa clínica. Meu pai trabalhava e atuava em Campinas. Ele morou lá a vida dele. Ele era formado pela Unicamp e, desde então, atuou lá. Não tinha clínica em São Paulo”, disse Aline.

José Roberto de Souza faleceu em janeiro de 2022. Já doente, em 2021, ele já não estava mais atendendo com regularidade e, quando o fazia, era em Campinas. Não em São Paulo, como diz o documento apresentado por Marçal.

A filha também apresentou outro argumento para indicar a falsidade do laudo. Após a morte do pai, Aline fez uma tatuagem com a assinatura dele. Que contrasta com a assinatura apresentada por Marçal no documento.

“Eu era muito ligada ao meu pai e ele sempre fez a mesma assinatura para tudo. Sempre era assinatura, e nunca fazia visto. Sempre assinou igual nos documentos dele, a vida inteira. E eu sempre gostei muito da assinatura, e até com a perda eu quis registrar essa assinatura em uma tatuagem na região da costela. Fiz ano passado, um ano após a morte. A assinatura [no documento de Marçal] é completamente diferente da dele”, afirmou.

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