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Morto pela ditadura, Stuart Angel recebe diploma póstumo da UFRJ

Filho da estilista Zuzu Angel e irmão da jornalista Hildegard Angel, Stuart tinha 25 anos quando foi sequestrado e morto pela ditadura militar

Morto pela ditadura, Stuart Angel recebe diploma póstumo da UFRJ
Morto pela ditadura, Stuart Angel recebe diploma póstumo da UFRJ
Stuart Angel foi morto pela ditadura militar aos 25 anos - Reprodução/Arquivo Nacional
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A Universidade Federal do Rio de Janeiro entregará o diploma póstumo de economista a Stuart Angel Jones, estudante da instituição sequestrado, torturado e morto por agentes da ditadura militar em 1971. A cerimônia ocorrerá nesta terça-feira 7, no Salão Dourado da universidade. A homenagem da UFRJ é uma iniciativa do CASA, o Centro Acadêmico Stuart Angel, do departamento de Economia.

Filho da estilista Zuzu Angel e irmão da jornalista Hildegard Angel, Stuart tinha 25 anos na época e integrava o Movimento Revolucionário Oito de Outubro (MR-8), grupo que lutava contra o regime militar. Ele foi preso sob suspeita de participar do sequestro do embaixador americano Charles Elbrick.

A prisão dele e de outros integrantes do MR-8 estava também ligada ao fato de o guerrilheiro e ex-capitão do Exército Carlos Lamarca, um dos comandantes da Vanguarda Popular Revolucionária, ter deixado a VPR e ingressado no MR-8. Os militares queriam informações sobre Lamarca que Stuart, mesmo sob tortura, nunca revelou.

Stuart foi preso por militares do Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica, um dos principais órgãos de repressão, espionagem e tortura da ditadura militar brasileira. Ele foi considerado desaparecido, como centenas de outros militantes de esquerda e presos políticos. Pouco tempo depois, soube-se da sua morte por meio do bilhete de um amigo dele que militava no MR-8.

Ele foi assassinado na Base Aérea do Galeão e até hoje a família não sabe o destino do corpo.

A mãe dele também foi assassinada, em maio de 1976, em um acidente de carro provocado por agentes da ditadura, quando dirigia na saída do túnel Dois Irmãos, em São Conrado, no Rio.

O reitor da UFRJ, Roberto Medronho, diz considerar que Stuart Angel representa a luta pela democracia e pela justiça social no Brasil.

“Ele foi arrancado do seio de sua família e duramente torturado. Ofereceu o que tinha de mais belo: a sua juventude. Esperamos que o legado de Stuart Angel inspire todos os estudantes a atuarem em prol da democracia, para que esse terrível capítulo da história do Brasil não se repita”, declarou.

Em 2019, o Estado brasileiro retificou o atestado de óbito de Stuart Angel. O documento passou a registrar oficialmente que sua morte foi violenta e causada pelo Estado brasileiro, no contexto da perseguição sistemática a opositores da ditadura militar instaurada em 1964.

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