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‘Juiz ladrão’, diz sucessor de Moro após anulação de atos contra Dirceu na Lava Jato
Eduardo Appio chefiou por cerca de três meses no ano passado a 13ª Vara Federal de Curitiba (PR)
O juiz federal Eduardo Appio criticou Sergio Moro, senador pelo União Brasil do Paraná, após o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes anular todos os atos assinados pelo ex-magistrado contra José Dirceu (PT) na Lava Jato.
“Se fosse no futebol, juiz ladrão seria expulso do campeonato. Aqui continua em campo”, disse Appio em contato com CartaCapital.
Eduardo Appio esteve por cerca de três meses do ano passado no comando da 13ª Vara Federal de Curitiba (PR), responsável pelos processos remanescentes da Lava Jato. Sua breve trajetória gerou grande repercussão, dado seu contraste com os anos em que Moro e a juíza substituta Gabriela Hardt reinaram no local. Atualmente, está à frente da 18ª Vara Cível da capital parananese, voltada a assuntos previdenciários.
Em entrevista a CartaCapital no início de outubro, Appio afirmou que Moro e o ex-procurador Deltan Dallagnol viabilizaram a eleição de Jair Bolsonaro (PL) em 2018 e os atos golpistas de 8 de Janeiro de 2023.
“O 8 de Janeiro é filho direto de pai e mãe declarados, com certidão de nascimento: Sergio Moro e Deltan Dallagnol”, avalia. “Esse casal ao acaso, nesse matrimônio profano estabelecido via Telegram, criou as condições para o 8 de Janeiro.”
Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa de Moro informou que o senador não se manifestará.
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