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‘Influencer’ bolsonarista sugere que fazendeiros atirem em trabalhadores sem-terra

‘Influencer’ bolsonarista sugere que fazendeiros atirem em trabalhadores sem-terra

Foto: Reprodução/Redes Sociais

Foto: Reprodução/Redes Sociais

Autointitulado “Black Power do Bolsonaro”, o influenciador digital Maicon Sulivan sugeriu, em uma postagem nas redes sociais, que fazendeiros atirem contra trabalhadores sem-terra.

 

 

O MST destaca que a postagem do influenciador se baseia em notícias falsas. Segundo o movimento, manifestantes ocuparam em 16 de outubro as margens da BR 118 para reivindicar uma área de assentamento para reforma agrária, sem qualquer ilegalidade.

“Os cerca de 300 trabalhadores convocaram o Movimento Sem-Terra e acamparam às margens da BR para chamar as autoridades, dentro da legalidade, para uma desapropriação para assentamento na região. Muitos blogs e pessoas da direita difundiram uma série de fake news, incluindo as do site Terra Brasilia, mentindo sobre invasão de terras particulares. Alguns sites já estão revendo as desinformações dadas e o movimento reafirma a legalidade, por estar à margem da BR”, explicou John David Silva do Nascimento, dirigente do setor de formação do MST do Rio Grande do Norte.

Maicon Sulivan é conhecido por participar de lives com Bolsonaro e por ter sido alvo de suposto crime de racismo do ex-capitão. Em uma das ocasiões, no cercadinho do Palácio da Alvorada, Bolsonaro perguntou o que Sulivan “criava” sob o cabelo. Depois, disse que viu uma barata nos cabelos do apoiador. O presidente também o apelidou de “criador de baratas” e disse que ele não poderia tomar ivermectina, para não matar “seus piolhos”.

O caso foi parar na Procuradoria da República e na Defensoria Pública da União, que acusaram o presidente de racismo. Na ação, são mencionados outros episódios – um deles se refere a quando Bolsonaro, ainda no cargo de deputado, disse que visitou um quilombo em que o “afrodescendente mais leve pesava sete arrobas”.

O jovem mineiro de 25 anos também é missionário da Igreja Batista da Lagoinha, dos pastores André e Ana Paulo Valadão, envolvidos em polêmicas. Nas redes sociais, Maicon usa as declarações de Bolsonaro como ‘provas’ de sua intimidade com o ex-capitão – suas visitas a Brasília têm sido cada vez mais frequentes. Ele ainda divulga materiais da Brasil Paralelo, produtora investigada pela CPI da Covid por disseminar fake news.

A postagem do influenciador contra o MST se deu um dia depois de uma ação digital de bolsonaristas para divulgar fake news sobre casas populares em Pernambuco. A postagem partiu da página pessoal do militante de extrema-direita Abimael dos Santos e foi compartilhada pelo próprio presidente da República e pela deputada federal Bia Kicis. Em suas redes, Santos publicou vídeos alegando suposta depredação de casas populares do Minha Casa, Minha Vida em Santa Cruz do Capiberibe (PE). O movimento anunciou que processará o autor das mentiras.

 

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Repórter da revista CartaCapital

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