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Impasse com Brandão leva PT maranhense a repensar candidatura própria e cogitar aliança com o PSD

Após tentativas frustradas de Lula em mediar disputa com o governador, a sigla considera apoiar Eduardo Braide e lançar vice petista ao Senado

Impasse com Brandão leva PT maranhense a repensar candidatura própria e cogitar aliança com o PSD
Impasse com Brandão leva PT maranhense a repensar candidatura própria e cogitar aliança com o PSD
O prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), o vice-governador do Maranhão, Felipe Camarão (PT), e a senadora Eliziane Gama (PSD) - Câmara dos Deputados/Reprodução/redes sociais/Waldemir Barreto/Agência Senado
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Eleições 2026

Diante da resistência do governador Carlos Brandão (PSB) em abrir mão de lançar o próprio sobrinho nas eleições deste ano, o diretório do PT no Maranhão caminha para apoiar a candidatura de Eduardo Braide (PSD), atual prefeito de São Luís, ao Palácio dos Leões.

Nesse cenário, segundo dirigentes partidários ouvidos pela reportagem, o partido indicaria o vice-governador Felipe Camarão (PT) como candidato ao Senado, em dobradinha com a senadora Eliziane Gama (PSD), que tentará a reeleição em outubro. O arranjo conta, inclusive, com o aval do Palácio do Planalto.

A solução foi encontrada diante das dificuldades enfrentadas pelo PT para costurar um acordo no estado. Em 2022, quando a chapa encabeçada por Brandão venceu as eleições, o compromisso firmado previa que o governador disputaria o Senado no próximo pleito, abrindo caminho para que Camarão fosse seu sucessor no governo estadual.

O acordo, porém, foi rompido. Brandão passou a articular a candidatura do sobrinho, Orleans Brandão (sem partido), atual secretário de Assuntos Municipalistas e presidente estadual do MDB, ao governo.

O impasse chegou ao conhecimento de Lula, que tentou arbitrar a disputa, segundo relatos de auxiliares.

Inicialmente, o presidente buscou convencer o governador a cumprir o acordo firmado em 2022. Em seguida, chegou a oferecer a Brandão a vaga de vice em uma eventual chapa encabeçada pelo PT.

Numa terceira tentativa de mediação, Lula teria mencionado a possibilidade de a candidata ser a deputada estadual Iracema Vale (MDB). Apesar de ligada ao governador, ela é vista como um nome mais neutro dentro do grupo político.

Até mesmo o ministro dos Esportes, André Fufuca (PP), chegou a ser ventilado como alternativa de “terceira via” no estado. Brandão, porém, rejeitou todas as propostas, segundo apurou a reportagem.

Entre aliados de Lula e dirigentes partidários, crescia a preocupação de que a fragmentação do campo governista acabasse beneficiando o ex-prefeito Lahesio Bonfim, que pretende disputar o governo pelo Novo.

Diante desse cenário — e das pesquisas de intenção de voto que colocam Braide na liderança da corrida — o PT maranhense passou a discutir uma aliança com o prefeito da capital. A sondagem mais recente, divulgada pelo instituto Paraná Pesquisas, aponta o pessedista com 34% das intenções de voto, quatro pontos percentuais à frente de Orleans Brandão.

Nesta segunda-feira, Camarão se reuniu com a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e sinalizou que aceita abrir mão da disputa ao governo para concorrer ao Senado.

Procurado, o vice-governador não comentou. Em fevereiro, durante o evento de comemoração dos 46 anos do PT, em Salvador (BA), ele disse à reportagem manter um “diálogo bom e respeitoso” com Braide e afirmou não ver obstáculos a uma eventual aliança — desde que a prioridade seja a reeleição de Lula. O PSD, partido do prefeito, vale lembrar, deve lançar candidato próprio à Presidência.

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