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Hamilton se pronuncia após ser chamado de ‘neguinho’ por Nelson Piquet: ‘Mentalidade arcaica’

Heptacampeão ressalta que o uso do termo racista reflete uma mentalidade ultrapassada que precisa ser, urgentemente, modificada

O ex-piloto brasileiro Nelson Piquet e o heptacampeão britânico Lewis Hamilton - Foto: Marcello Casal/ABR e Divulgação/F1
O ex-piloto brasileiro Nelson Piquet e o heptacampeão britânico Lewis Hamilton - Foto: Marcello Casal/ABR e Divulgação/F1
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O heptacampeão da Fórmula 1, Lewis Hamilton, se pronunciou nesta terça-feira 28, sobre os comentários do ex-piloto brasileiro Nelson Piquet referentes a ele. 

Em entrevista ao jornalista Ricardo Oliveira, realizada em novembro de 2021, que voltou a circular na internet nesta terça, Piquet usa o termo ‘neguinho’ para se referir ao piloto britânico. O comentário comparava o acidente envolvendo Hamilton e Max Verstappen no Grande Prêmio (GP) de Silverstone na Inglaterra e o de Ayrton Senna e Alain Prost, em 1990, na largada do GP do Japão.

“O neguinho [Lewis Hamilton] meteu o carro e não deixou [desviar]. O Senna não fez isso. O Senna saiu reto. O neguinho meteu o carro e não deixou [Verstappen desviar]. O neguinho deixou o carro porque não tinha como passar dois carros naquela curva. Ele fez de sacanagem. A sorte dele foi que só o outro [Verstappen] se fodeu. Fez uma puta sacanagem”, criticou o tricampeão mundial brasileiro. 

Em sua conta no Twitter, após a repercussão da fala de Piquet, o britânico respondeu em português, “Vamos focar em mudar a mentalidade”.

E acrescentou que essa atitude não tem espaço no ramo automobilístico: “É mais do que linguagem. Estas mentalidades arcaicas precisam mudar e não têm lugar no nosso esporte. Tenho sido rodeado por estas atitudes e visões por toda a minha vida. Existe muito tempo para aprender. Chegou o momento de agir”.

A repercussão também chegou aos representantes da Fórmula 1, da Federação Internacional do Automóvel (FIA) e da Mercedes, que repudiaram o uso do termo racista.

“A FIA condena veementemente qualquer linguagem e comportamento racista ou discriminatório, que não tem lugar no esporte ou na sociedade em geral. Expressamos nossa solidariedade a Lewis Hamilton e apoiamos totalmente seu compromisso com a igualdade, diversidade e inclusão no esporte a motor”, afirmou a Federação Internacional do Automóvel no Twitter. 

“A linguagem discriminatória ou racista é inaceitável sob qualquer forma e não tem parte na sociedade. Lewis é um embaixador incrível do nosso esporte e merece respeito. Seus incansáveis esforços para aumentar a diversidade e a inclusão são uma lição para muitos é algo com o qual estamos comprometidos na F1”, publicou a F1.

A equipe de Hamilton, Mercedes, também se posicionou contra qualquer tipo de discriminação e recebeu apoio dos representantes da Ferrari. Sobre o assunto, o heptacampeão ainda respondeu o comentário de um fã que dizia “[Se Hamilton] apenas tuitasse ‘quem é Nelson Piquet?’ e, então, fechasse o Twitter”. Ele replicou a publicação dizendo: “Imagine”. 

Cena repetida

É a segunda vez neste ano que o multicampeão é alvo de ataques discriminatórios. A primeira, em abril, diz respeito às publicações ofensivas de uma funcionária da McLaren após Hamilton ter sido substituído por George Russell para o GP de Sakhir.

“Que verdadeiro idiota ele é! Não consegue ver ninguém se dar bem”, diz a publicação da funcionária que está sendo investigada em segredo de justiça. 

A McLaren se posicionou pelas redes sociais. “Consideramos esses comentários completamente em desacordo com nossos valores e cultura na McLaren. Levamos o assunto muito a sério e estamos investigando-o como uma prioridade”.

Já em 2021, o piloto recebeu ameaças de morte e uma enxurrada de ofensas racistas após o acidente com o holandês Max Verstappen. Na ocasião, apesar do acidente e da punição que Hamilton recebeu, o holandês se classificou em primeiro lugar. 

Camila da Silva

Camila da Silva
Repórter e Produtora de CartaCapital

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