CartaExpressa
Fraude colossal na Americanas foi perpetrada por uma quadrilha, diz BR Partners
Para Ricardo Lacerda, as incertezas ligadas à crise da varejista provocarão ‘um cenário de tração muito forte no curto prazo’
O presidente e fundador do banco de investimentos BR Partners, Ricardo Lacerda, afirmou que as incertezas ligadas à crise da Americanas provocarão “um cenário de tração muito forte no curto prazo”.
Segundo Lacerda, “a empresa arquitetou uma fraude colossal, a maior da história do Brasil, claramente perpetrada por uma quadrilha que agia de forma uníssona”. A declaração foi concedida em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo.
Em 11 de janeiro, a Americanas informou ao mercado ter encontrado “inconsistências contábeis” de 20 bilhões de reais em seus balanços. Os passos seguintes envolveram a Justiça: primeiro, uma medida de proteção contra credores e, na sequência, a aprovação do início de uma recuperação judicial. A varejista declarou dívidas de 40 bilhões de reais.
Apesar da Americanas, Lacerda não vê uma crise generalizada no varejo, composto por “empresas muito fortes e saudáveis”. Ele avalia que “algumas podem, sim, estar queimando caixa, mas têm caixa para queimar”.
Assim, emenda o banqueiro, “a única operação que mostrou que não para em pé até agora no varejo é a da Americanas”.
Em recuperação judicial, a Americanas anunciou no fim da semana passada o afastamento de seis executivos e diretores das áreas financeira e contábil. A decisão, tomada pelo Conselho de Administração, é parte de uma tentativa de “garantir a integridade da preservação de informações e documentos”.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.
CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.
Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.
Leia também
Verde Asset, de Luis Stuhlberger, se diz vítima de fraude na crise da Americanas
Por CartaCapital
Presidente da Marisa renuncia em meio a dívidas de quase R$ 600 milhões
Por CartaCapital
Oi entra com pedido de proteção contra credores na Justiça de Nova York
Por CartaCapital


