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Flávio é o meu candidato, diz Tarcísio após polêmica do ‘novo CEO’
O governador sustenta que ficará em São Paulo; comentário de primeira-dama irritou bolsonaristas
Um dia após curtir um comentário no qual sua esposa afirmou que o Brasil “precisa de um novo CEO“, referindo-se a ele, o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) disse apoiar a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência. As declarações foram dadas a jornalistas nesta quinta-feira 15, após o chefe do Palácio dos Bandeirantes participar de um evento em Suzano.
“Para mim o Flávio é um grande nome. Já falei que ele é meu candidato e vai ter nosso apoio. A direita vai estar unida em torno de um nome e meu nome é o Flávio”, declarou. O governador também minimizou o comentário da primeira-dama Cristiane Freitas e afirmou que permanecerá no estado, onde concorrerá à reeleição. “Nunca teve esse projeto [de disputar o Planalto]. É que vocês não acreditam”.
Lideranças bolsonaristas ficaram irritadas com a publicação de Cristiane, que comentou em um vídeo publicado nas redes sociais do marido. Na gravação, o mandatário faz críticas ao PT e apresenta sua visão do Estado como uma empresa, defendendo a “chegada de um CEO”, capaz, segundo ele, de impulsionar uma nova etapa de desenvolvimento no País. Tanto o vídeo como o comentário da primeira-dama foram lidos por integrantes do clã Bolsonaro como um sinal de que Tarcísio ainda se movimentava para ser candidato da centro-direita à Presidência, a despeito da escolha por Flávio.
Entre as reações mais destemperadas está a do influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo, que criticou diretamente a fala da primeira-dama. “O bolsonarismo não quer um CEO. Isso é positivismo estúpido típico de milico”, escreveu. Já o vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PL), irmão do senador, ironizou a mensagem ao postar uma foto do ex-governador João Doria (sem partido) segurando uma revista que o descreve como CEO.
“A mensagem ali é de desabafo contra o PT”, disse Tarcísio nesta quinta sobre o vídeo. “A gente está dizendo ali o seguinte: a gente precisa, na verdade, de um gestor que pense o Brasil, que tenha a liderança para enfrentar os grandes desafios e resolver os problemas. Então, quando você fala que o Brasil precisa de um novo gestor, e aquilo foi falado no contexto de um evento empresarial, a gente tá falando: não dá mais pro PT”.
Desde que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) recebeu as bênçãos do pai para concorrer à Presidência, o governador — até então citado como possível herdeiro do espólio político do ex-presidente — passou a ser pressionado a se engajar mais diretamente na campanha.
Nas poucas vezes em que abordou o tema, o chefe do Palácio dos Bandeirantes afirmou que Flávio poderá contar com seu apoio, mas tem evitado participar de atos da pré-campanha, como o almoço com empresários realizado em dezembro, na capital paulista.
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