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Está tudo explodindo ao mesmo tempo, diz Nicolelis sobre colapso de saúde

Está tudo explodindo ao mesmo tempo, diz Nicolelis sobre colapso de saúde

Para o médico, há o risco também de colapso funerário; solução passa por lockdown nacional e não somente restrições de horário

Créditos: divulgação

Créditos: divulgação

O Brasil, que ultrapassou as 251 mil mortes por Covid-19, está a beira do colapso de saúde, de acordo com o médico, neurocientista e professor catedrático da Universidade de Duke (EUA) Miguel Nicolelis.

Em entrevista ao jornal O Globo, publicada nesta sexta-feira 26, Nicolelis afirmou que, “diferente da primeira onda, quando foi cada estado num tempo, surgiram efeitos sincronizadores como eleição, festas de fim de ano, carnaval”.

 

 

“Agora, tudo está explodindo ao mesmo tempo. Isso significa que não tem medicação, não tem como intubar, não vai dar para transferir de uma cidade para outra, não vai ter como transferir para lugar nenhum. A consequência do colapso de saúde é o colapso funerário. Cientistas não olham só o presente, mas olham o futuro, enquanto o político está pensando no hoje, em como resistir à pressão do setor X para não fechar, a despeito das mortes”, disse o médico.

“Eu estou vendo a grande chance de um colapso nacional. Não é que todo canto vá colapsar, mas boa parte das capitais pode colapsar ao mesmo tempo, nunca estivemos perto disso. Se eliminar o genocídio indígena e a escravidão, é a maior tragédia do Brasil”, acrescentou.

Na conversa, o médico reforça que o governo federal falhou no combate à Covid-19.

“Se eliminar o genocídio indígena e a escravidão, é a maior tragédia do Brasil. A ausência de comando do governo federal é danosa. Isso é uma guerra. Em outros países essa é a mensagem que foi dada, veja a China. É curioso ver que no mundo ocidental exista dificuldade de transmitir essa mensagem da gravidade. Em Israel, metade da população foi vacinada no meio de um lockdown, e Israel é um país que entende o que é uma guerra. Adotaram discurso de salvação nacional, a mobilização foi total”, aponta.

A solução temporária, para o neurocientista, é um lockdown nacional.

“O Brasil precisaria de um lockdown nacional, com uma campanha de comunicação, porque a gente precisa da colaboração da população. A população precisa acordar para a dimensão da nossa tragédia. Nessa altura, essas medidas de restrição de horário não têm efeito, porque o grau de espalhamento é tão enorme que se compensa durante o dia, quando as pessoas vão aos restaurantes, shoppings, pegam transporte lotado, não funciona”.

 

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