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Escola que homenageou Lula é rebaixada no Carnaval do Rio; Viradouro vence

A Acadêmicos de Niteroi levou à Sapucaí o samba-enredo ‘Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil’

Escola que homenageou Lula é rebaixada no Carnaval do Rio; Viradouro vence
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Créditos: Divulgação
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Estreante no Grupo Especial do Carnaval carioca, a Acadêmicos de Niterói entrou na Marquês de Sapucaí com um enredo de alto teor político — e saiu dela rebaixada. A escola, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), terminou a apuração desta quarta-feira (18) na 12ª colocação, com 264,6 pontos, e retornará à Série Ouro em 2026.

A vencedora do Carnaval, a Viradouro, conquistou o título do Carnaval com 270 pontos.

Após o rebaixamento, a escola fez uma publicação nas redes sociais onde agradeceu a participação da comunidade, e destacou, em texto: “A arte não é para os covardes”.

A Acadêmicos de Niteroi, que desfilou no domingo 15, apresentou o samba-enredo “Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil”, composto pelo carnavalesco Tiago Martins, e levou para a avenida alegorias que representavam o presidente e sua trajetória política. Também direcionou críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL): em um dos carros, ele foi retratado como um “bozo” que ria diante de cruzes — referência às mortes por Covid-19. E, em outra alegoria, apareceu atrás das grades.

Antes mesmo da apuração, a direção da escola divulgou nota afirmando ter sido alvo de perseguição política pela escolha do enredo. “Durante todo o processo carnavalesco, a nossa agremiação foi perseguida. Sofremos ataques políticos, enfrentamos setores conservadores e, de forma ainda mais grave, lidamos com perseguições vindas de gestores do próprio Carnaval Carioca”, afirmou. Segundo o texto, houve tentativas de interferência na autonomia artística, com pedidos de mudança de enredo e questionamentos sobre a letra do samba.

O desfile da escola também foi alvo de ataques da oposição, especialmente por ter direcionado críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Nas alegorias, houve representação de Bolsonaro como um palhaço que ria diante de cruzes, que simbolizaram as mortes da Covid-19; o mesmo palhaço foi representado em um carro alegórico atrás das grades.

A Niteroi já havia sido penalizada no início das apurações por irregularidades na dispersão, mas a penalidade não gerou perda de pontos.

Entenda a polêmica

A escola chegou a ser alvo de pelo menos dez ações judiciais e representações no Ministério Público e no TCU que tentaram impedir o desfile ou suspender e reverter repasses de recursos públicos. Também houve pedidos para barrar a presença do presidente na Marquês de Sapucaí e para restringir manifestações consideradas ataques a adversários.

O plenário do TSE, que avaliou o caso, negou, por unanimidade, liminar para proibir o desfile, sob o argumento de que a intervenção poderia caracterizar censura prévia. Ministros, porém, alertaram que eventuais condutas poderiam ser analisadas posteriormente e resultar em punições. Após o julgamento, o PT orientou integrantes a evitar atos que pudessem ser interpretados como propaganda antecipada.

O governo federal negou irregularidades, afirmou que não participou da escolha do enredo e sustentou que o apoio financeiro às escolas, também questionado pela oposição, é recorrente.

Depois do desfile, o presidente Lula elogiou a apresentação nas redes sociais, sendo novamente alvo de críticas e anúncio de novas medidas judiciais, por suposta promoção eleitoral antecipada e uso indevido de recursos públicos.

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