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Com vacinação a passos lentos, é imprescindível adotar medidas mais duras de controle, alertam especialistas

‘A vacinação não deve se restringir apenas à população idosa, por ser insuficiente para controlar efetivamente a pandemia no Brasil’

A vacina Coronavac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan. Foto: CARL DE SOUZA/AFP
A vacina Coronavac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan. Foto: CARL DE SOUZA/AFP

A nota técnica “Situação da pandemia de Covid-19 no Brasil e impactos da campanha de vacinação”, publicada nesta segunda-feira 1 por médicos, professores e pesquisadores, alerta que, “se mantida a atual situação, uma campanha de vacinação ampla, que ao que tudo indica se estenderá por no mínimo um ano, pode não ocorrer a tempo de evitar um elevado número de casos e mortes”.

Por isso, o grupo reforça que são “imprescindíveis medidas mais duras de controle”, a fim de reduzir a disseminação do novo coronavírus. Os especialistas recomendam a adoção de algumas ações, entre elas:

– “Medidas de contenção de contatos sociais, o chamado lockdown, dimensionadas de acordo com as realidades locais, para conter o crescimento da pandemia”;

– “Levar em conta no planejamento da vacinação os grupos com número de contatos muito maior que a média da população, como motoristas de transporte público, caixas de supermercados, professores, etc.”;

– “A vacinação não deve se restringir apenas à população idosa (com mais de 60 anos por exemplo), por ser insuficiente para controlar efetivamente a pandemia no Brasil”;

– “Realizar extensas campanhas públicas de informação sobre os cuidados essenciais, como o porte de máscara e distância mínima entre pessoas, enfatizando a real gravidade da COVID19, e divulgando amplamente as inúmeras sequelas observadas em pessoas curadas, a inexistência de tratamento precoce ou definitivo, e que um retorno a uma situação próxima à normalidade pré-pandemia só será possível após uma grande parcela da população ter sido vacinada”;

– “Gestores e autoridades públicas devem basear suas decisões na melhor evidência científica
disponível, assessorados por painéis de especialistas, das diferentes áreas do conhecimento pertinentes ao momento”.

Assinam a nota técnica: Dr. Aloísio S. Nascimento Filho – Centro Universitário SENAI CIMATEC, Salvador; Dr. Antônio Carlos Guimarães de Almeida – Laboratório de Neurociência Experimental e Computacional, Departamento de Engenharia de Biossistemas/UFSJ; Me. Antônio José Assunção Cordeiro – SENAI CIMATEC, Unopar Candeias e IFBA; Dr. Fulvio Alexandre Scorza, Departamento de Neurologia e Neurocirurgia, Escola Paulista de Medicina/UNIFESP; Dr. José Fernando F. Mendes, Departamento de Física & I3N, Universidade de Aveiro, Portugal; Dr. Marcelo A. Moret – SENAI CIMATEC e UNEB; Dr. Tarcísio M. Rocha Filho – Núcleo de Altos Estudos Estratégicos para o Desenvolvimento-CIFMC e Instituto de Física/UnB; e o Dr. Walter Massa Ramalho – FCE e Núcleo de Medicina Tropical/UnB.

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