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Com mudança na Petrobras, liberais descobrem que Bolsonaro não é liberal

Para Salim Mattar, ex-secretário especial de Desestatização, País está se militarizando demais

Foto: Alan Teixeira/Divulgação Foto: Alan Teixeira/Divulgação
Foto: Alan Teixeira/Divulgação Foto: Alan Teixeira/Divulgação

Após o presidente Jair Bolsonaro anunciar o general Silva e Luna como o novo presidente da Petrobras, ex-aliados já reconhecem que o governo não é liberal.

É o caso de Salim Mattar, ex-secretário especial de Desestatização, que criticou a escolha do presidente.

“Me desculpe, estamos militarizando demais o País”, afirmou em entrevista à CNN Brasil.

“O militar é para quartel. Temos que colocar um homem de mercado na Petrobras. Um homem que saiba o que é um departamento de relações com os investidores. Esse é o tipo de pessoa que precisamos em uma empresa listada. O governo brasileiro está mostrando que não é confiável”, acrescentou.

Para ele, “o governo não é liberal e eu acreditei no candidato Bolsonaro. No candidato que falava em privatizar a ‘TV da Dilma’, que é a EBC, a empresa do trem bala, que é a EPL. Ele falava em tirar o estado do cangote do cidadão. Mas foi um discurso de campanha. Eu deixei todos os meus negócios para ir para o governo. Fui motivado pelo desafio espetacular, que era um projeto de Brasil e não do governo.”

A substituição de Roberto Castello Branco no comando da petroleira também recebeu críticas de Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central, que comparou o Brasil a Venezuela.

Em entrevista ao Estadão, o economista Luiz Carlos Mendonça de Barros, ex-presidente do BNDES na gestão de FHC, diz que o perfil liberal de Castello Branco inviabiliza a sua atuação na empresa.

“O Castello Branco não tem o perfil para tratar do problema do diesel com essa vertente social e econômica que demanda a questão dos caminhoneiros. A linha de pensamento dele é liberal, de que cada um tem de se virar, de que, se o preço é volátil, então, vai ficar volátil”.

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