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Bolsonaro sonhava com atentados como os do dia 8 de Janeiro, diz Gilmar Mendes
Para o ministro do STF, episódios como o 7 de setembro de 2021, quando Bolsonaro ameaçou não cumprir decisões do tribunal, dão sustentação para sua avaliação
Para o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ‘sonhava’ com episódios de terrorismo golpista como os ocorridos no dia 8 de Janeiro em Brasília. A afirmação do ministro foi feita em entrevista exibida pela TV Record na noite desta segunda-feira 15.
“Eu não tenho nenhuma dúvida, embora tenha dialogado várias vezes com o [ex-]presidente Bolsonaro…e eu não vou fazer aqui psiquiatria…mas, no fundo, ele sonhava com episódios como esse [8 de Janeiro]”, disse Gilmar na conversa.
De acordo com o ministro, as ações e discursos de Bolsonaro nas duas últimas celebrações do 7 de Setembro dariam sustentação para sua avaliação sobre a visão do ex-capitão dos atos golpistas. Em 2021, por exemplo, o ex-presidente chegou a ameaçar não cumprir decisões do Supremo.
“Eu acompanhei os dois últimos 7 de Setembro, com aquelas manifestações grandes em todo o Brasil e acompanhei, especialmente, aquele 7 de Setembro de 2021 em que tivemos tentativa de avanço de caminhões para além do Itamaraty já rumo ao Supremo Tribunal Federal”, contou. “Me parece que havia, no núcleo do poder, este tipo de expectativa, de que nós teríamos uma desordem institucional, que reclamaria GLO e coisas assim. Acho que há este dado que é importante”, argumentou.
Na entrevista, Gilmar avaliou, ainda, que não acredita que o Supremo Tribunal seja o causador da polarização no Brasil, como apontado por bolsonaristas.
“Que ativismo nós estamos falando? O governo reclamou muito da intervenção do Supremo na Saúde. Do que se tratou? O Supremo facilitou a edição de medidas provisórias, portanto, o Congresso pôde votar medidas provisórias mesmo de longe, mas para dar viabilidade para o próprio sistema”, destacou.
“Os seus seguidores passaram a dizer que o governo Bolsonaro não fez uma política de saúde adequada porque o Supremo não deixou. Isso é um absurdo. Que política de saúde nós estávamos a falar? Cloroquina e uma tese de contaminação geral”, reforçou o ministro mais adiante.
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