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Bolsonaro perde apoio entre policiais civis e federais, diz pesquisa

Presidente, no entanto, resiste quando se trata da Polícia Militar; 81% dos que votaram no capitão não se arrependem

Foto: EVARISTO SA / AFP
Foto: EVARISTO SA / AFP

O presidente Jair Bolsonaro não conta com o mesmo apoio que teve nas eleições de 2018 entre policiais federais e civis. É o que revela pesquisa do instituto Atlas, feita a pedido da revista Época e divulgada nesta sexta-feira 9.

De acordo com o levantamento, entre os que se declararam policiais civis, 53% disseram ter votado em Bolsonaro no segundo turno das eleições de 2018 e, desse total, a maioria, ou 61%, diz estar arrependida.

Na PF, nas últimas eleições presidenciais, 61% dos agentes optaram pelo atual presidente. Hoje, 38% deles se dizem arrependidos.

A Polícia Militar, no entanto, parece fazer parte do núcleo duro do bolsonarismo. Segundo a pesquisa, 71% dos PMs declaram ter escolhido Bolsonaro no segundo turno em 2018 e 81% dizem que continuam hoje contentes com a opção que fizeram. Somente 17% afirmam ter arrependimentos.

A pesquisa retrata o que disse Luís Antônio Boudens, presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), em entrevista a CartaCapital em março. “Hoje, o discurso é de desânimo”, admitiu à época.

Segundo Boudens, a decepção da categoria com o presidente começou na tramitação da reforma da Previdência, aprovada em 2019. Na ocasião, o governo não incluiu policiais civis, rodoviários e federais no mesmo pacote dos militares, com regras mais brandas.

O estopim veio com a PEC Emergencial, que passou pelo Senado e pela Câmara dos Deputados. Os policiais, assim como todos os servidores, ficarão sujeitos ao congelamento salarial caso as despesas da União, de estados e municípios cheguem a 95% da receita corrente.

O apoio ao governo pode cair ainda mais, diz Boudens, caso a reforma Administrativa, que altera regras da estabilidade dos funcionários públicos e cria 5 tipos de vínculos com o Estado, seja aprovada.

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