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Bolsonaro diz que demarcação de terras indígenas fará preço de alimentos disparar

‘O preço do alimento vai disparar, podemos ter no mundo desabastecimento’, projeta de forma alarmista o presidente

Foto: Reprodução
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O presidente Jair Bolsonaro voltou a pedir nesta quarta-feira 15 que o Supremo Tribunal Federal não altere o marco temporal, que será determinante na garantia de demarcação de terras indígenas no Brasil, interrompida no País desde que o ex-capitão chegou ao Planalto.

Em projeções alarmistas durante o anúncio sobre o ‘Casa Verde e Amarela’, o presidente chegou a dizer que, caso o STF decida em favor dos indígenas, o preço dos alimentos irá disparar e o mundo viverá um desabastecimento.

“Nós estamos experimentando uma inflação alta nos gêneros alimentícios no mundo todo. Fruto da pandemia e do ‘fique em casa, a economia a gente vê depois’. Se o Brasil tiver que demarcar novas reservas indígenas, no equivalente a mais 14% do território nacional, o preço do alimento vai disparar. E não é só isso, podemos ter no mundo desabastecimento”, disse Bolsonaro.

Na previsão do presidente, o ‘mundo’ está defendendo a alteração do marco temporal, mas não ‘saberiam as reais consequências’ dessa ação.

“A gente pede a Deus que logo mais o nosso Supremo Tribunal Federal não altere o marco temporal. É uma pressão externa muito grande, mas o pessoal lá de fora não sabe as consequências disso”, afirmou.

A alteração no marco temporal, ao contrário do que afirma o presidente, busca garantir o direito constitucional dos povos originários de ocuparem suas terras e manterem suas tradições. Os defensores da limitação nas demarcações visam a liberação de exploração dessas terras pelo agronegócio e pelo garimpo.

Além da defesa da principal pauta ruralista, condicionando a demarcação ao preço de alimentos, Bolsonaro também voltou a atacar o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que, segundo ele, ‘estão há dois anos sem atividades’.

“Nós entregamos no nosso governo, mais títulos [de propriedade] do que nos 20 anos de governos que nos antecederam. Com isso, a gente tira das mãos do MST essas pessoas. Quando a gente fala ‘essa terra é minha’, ele não aceita embarcar no ônibus vermelho que passa na frente da sua propriedade pra invadir outra terra lá na frente. Então estamos vivendo 2 anos e 8 meses praticamente sem invasões, sem atividades do MST”, atacou o presidente.

Ao contrário do que afirma o presidente, o MST segue ativo e com ações focadas em agricultura familiar e reforma agrária no País. Durante a pandemia, o movimento já distribuiu mais de 1 milhão de marmitas e superou as 5 mil toneladas de alimentos doados para famílias em todo o Brasil. Recentemente, as ações do MST também receberam o prêmio internacional ‘Acampa – Pola Paz e Dereito a Refuxio’, de Direitos Humanos na Espanha.

Getulio Xavier

Getulio Xavier
Repórter do site de CartaCapital

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