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Bolsonaro diz não ver problema na existência de ‘gabinete paralelo’

No entanto, presidente novamente negou a existência do grupo

Jair Bolsonaro, o 'ministro paralelo', Osmar Terra, e o virologista Paulo Zanotto, criador do 'gabinete das sombras'

Foto: Repdoução Metrópoles
Jair Bolsonaro, o 'ministro paralelo', Osmar Terra, e o virologista Paulo Zanotto, criador do 'gabinete das sombras' Foto: Repdoução Metrópoles
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O presidente Jair Bolsonaro afirmou na terça-feira 15 não ver problema na existência de um ‘gabinete paralelo’ para orientar o governo federal na condução da pandemia. Bolsonaro, apesar disso, novamente negou a existência do grupo. A declaração foi dada em entrevista à RIC TV, afiliada da Record em Rondônia.

“Foi feita uma live e ficou na minha página. Daí a CPI pega isso, diz que era um gabinete paralelo. E se fosse? Qual o problema? Eu tenho que ouvir pessoas para tomar providências. Não posso tomar providências sem ouvir pessoas”, afirmou o presidente.

O chamado ‘gabinete paralelo’ é investigado pela CPI da Covid por ser um dos principais responsáveis pelas políticas negacionistas do governo federal.

O grupo teria como ‘padrinho’ o deputado federal Osmar Terra (MDB-RS) e contava com a participação de médicos defensores do ‘tratamento precoce’, comprovadamente ineficaz no combate à Covid, como a médica Nise Yamaguchi e o virologista Paulo Zanotto.

Na live a qual se refere Bolsonaro, Zanotto é quem indica a constituição do grupo, o qual chamou de ‘shadow cabinet’, literalmente um ‘gabinete das sombras’, em que os integrantes não seriam nomeados publicamente, mas tomariam as decisões sobre a pandemia nos bastidores.

Nise, por sua vez, destacou ser uma “honra trabalhar com o senhor [Osmar Terra]”, indicando novamente o papel de liderança de Terra no grupo.

Na prática, ao que tudo indica, os integrantes do ‘gabinete paralelo’ foram os responsáveis por aconselhar Bolsonaro no uso da hidroxicloroquina e outros medicamentos do chamado ‘tratamento precoce’.

O grupo também teria aconselhado o governo federal em posturas contra a vacina, além de defender a ‘imunidade de rebanho’.

Mais tarde, essas decisões guiaram o Brasil aos mais de 490 mil mortos pela Covid e ao atraso na vacinação, fatos investigados pela CPI.

Getulio Xavier

Getulio Xavier
Repórter do site de CartaCapital

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