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Agente da PF preso na Operação Contragolpe foi cooptado por membro da Abin para plano de golpe, diz TV
Wladimir Soares, que integrou segurança de Lula (PT) em 2022, recebeu a promessa de que passaria a fazer parte da equipe que protegeria Jair Bolsonaro (PL) após execução de trama
O policial federal Wladimir Soares, preso na última terça-feira 19 na Operação Contragolpe, depôs aos investigadores e incluiu um outro nome no plano para assassinar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, em dezembro de 2022. Trata-se de Alexandre Ramalho, agente federal lotado na Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
A informação foi revelada na noite desta quarta-feira 20 pelo Jornal Nacional, da TV Globo, que detalhou o depoimento de Wladimir à PF após a prisão.
Wladimir fazia parte da equipe de segurança de Lula nos tempos da transição de governo, período em que militares planejavam assassinar o petista. Segundo o policial, a conversa com Ramalho aconteceu dentro da Academia da Polícia Federal.
Ele teria sido convidado para participar da segurança do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), no cenário pós-golpe, em que o ex-capitão não entregaria a faixa presidencial a Lula. De acordo com o JN, Wladimir admitiu que teria aceitado o convite. A defesa de Wladimir Soares não comentou publicamente o caso.
Wladimir Soares, que chegou a atuar no hotel em que Lula estava hospedado antes de assumir a Presidência, foi afastado das funções depois que os investigadores descobriram, à época, que ele frequentava os acampamentos golpistas na capital federal.
Tentativa de golpe
Outra peça importante nas investigações é Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. A PF suspeita que ele e o general Mário Fernandes, também preso na operação desta semana, chegaram a conversar sobre as ações golpistas.
Mauro Cid teria estado, segundo a PF, em uma reunião golpista na casa do general Walter Braga Netto, que foi ministro da Casa Civil e da Defesa de Bolsonaro. Até o momento, as investigações apontam que a trama golpista envolveria a criação de um “gabinete de crise” depois dos assassinatos de Lula, Alckmin e Moraes. O gabinete seria gerido por Braga Netto e pelo general Augusto Heleno.
Braga Netto, segundo a PF, seria integrante do “Núcleo de Oficiais de Alta Patente com Influência e Apoio de Outros Núcleos”. A defesa dele ainda não se manifestou sobre o caso.
Cid prestará novo depoimento no STF nesta quinta-feira.
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