CartaCapital
Tragédia/ Explosão no Jaguaré
Obra malfeita da Sabesp põe abaixo 46 casas. Um morador morre
Foi preciso vasculhar no escombro dos milhares de palavras imprimidas nos jornais ou ditas nas rádios e tevês para encontrar o nome das empresas responsáveis pela explosão na comunidade Nossa Senhora das Virtudes, no Jaguaré, Zona Oeste de São Paulo. Uma obra da Sabesp, companhia de saneamento privatizada pelo governador Tarcísio de Freitas, provocou um vazamento em uma tubulação da Comgás por volta das 4 da tarde da segunda-feira 11. Resultado: 46 imóveis completamente destruídos, um morador morreu e três ficaram feridos. Os afetados foram levados a um hotel e receberam um auxílio emergencial de 2 mil reais. Em nota, as empresas lamentaram “profundamente a morte de um morador e se solidarizam com seus familiares e demais vítimas da explosão”. Pressionada, a Sabesp elevou, no dia seguinte, o auxílio para 5 mil reais. Ainda é pouco. A tragédia no Jaguaré, assim como as constantes quedas de energia na região metropolitana, sob administração da italiana Enel, é mais um indicativo da queda de qualidade dos serviços públicos privatizados. Para aumentar a margem de lucro, os controladores privados, em geral, sacrificam o atendimento aos clientes.
Carne barrada
Apesar da entrada em vigor, de forma provisória, do acordo comercial com o Mercosul, a União Europeia anunciou a suspensão da compra de carne brasileira a partir de outubro, sob o argumento de inexistência de provas de que os pecuaristas locais não usam de maneira excessiva antimicrobianos, em desacordo com as regras sanitárias do bloco. Segundo Eva Hrnčířová, porta-voz da Comissão para a Saúde, a retomada das importações depende do cumprimento dos requisitos exigidos pelo continente. “Assim que a conformidade for demonstrada, a UE poderá autorizar ou retomar as exportações.”
Justiça/ Dudu, o chantagista
A PGR pede a condenação de Eduardo Bolsonaro por coação
Melhor o ex-deputado fixar residência nos Estados Unidos – Imagem: Gage Skidmore
Só uma eventual vitória do irmão nas eleições presidenciais pode mudar o rumo dos acontecimentos para o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Na segunda-feira 11, a Procuradoria-Geral da República defendeu a condenação do autoexilado nos Estados Unidos por coação no curso do processo. O filho 03 de Bolsonaro, diz a PGR, tentou atrapalhar os trabalhos sobre a tentativa de golpe que resultou na condenação do ex-presidente a 27 anos e 3 meses de prisão. “O inconformismo do réu materializou-se em atos concretos de hostilidade e promessas (efetivadas) de retaliação internacional, com o objetivo claro de paralisar as persecuções penais em curso, o que preenche integralmente os requisitos do tipo penal imputado”, alega o Ministério Público. “Os elementos reunidos nos autos comprovam, portanto, que Eduardo Nantes Bolsonaro praticou, de forma continuada, o crime que lhe é imputado na denúncia.”
Bolívia/ Guerra jurídica
Justiça emite nova ordem de prisão contra Evo Morales
Imagem: David Flores/AFP
Diante da ausência de Evo Morales no tribunal, a Justiça boliviana suspendeu o julgamento e renovou o pedido de prisão do ex-presidente, acusado de manter relacionamento com uma menor de 15 anos, com quem teria uma filha, no período em que exerceu o cargo de presidente da República. A mãe da menor também é acusada no mesmo processo, por conivência. Morales está refugiado na região de Chapare, seu reduto político, e tem denunciado o que entende ser uma “perseguição judicial”. “Não busco impunidade”, escreveu no X. “Quero que meus acusadores demonstrem – com provas legais e reais – os supostos crimes que cometi. Pedi uma justiça imparcial, honesta, objetiva e autônoma do poder político.”
Peru: segundo turno definido
Na quarta-feira 13, um mês após o primeiro turno das eleições presidenciais, os peruanos conheceram, enfim, o adversário de Keiko Fujimori na segunda volta. Roberto Sánchez, de esquerda, ex-ministro de Pedro Castillo, superou por 18.799 votos o ultradireitista Rafael López Aliaga, ex-prefeito de Lima chamado de “Bolsonaro peruano”. No estilo típico do extremismo de direita, Aliaga havia denunciado uma suposta “fraude”. O coordenador da Junta Nacional Eleitoral e dois auxiliares renunciaram aos cargos.
Reino Unido/ Na corda bamba
Keir Starmer, primeiro-ministro trabalhista, está sob pressão
Starmer perdeu a confiança de grande parte da base trabalhista – Imagem: Simon Dawson/Governo do Reino Unido
Dois anos depois de uma vitória consagradora, o primeiro-ministro do Reino Unido, o trabalhista Keir Starmer, está sob risco. A derrota nas recentes eleições regionais, com a perda de redutos tradicionais da agremiação, somada à ascensão dos extremistas de direita reunidos no Reform UK, aumentou as pressões internas por sua renúncia. Embora o premier tenha afirmado a disposição de permanecer no cargo até a próxima disputa nacional, 80 parlamentares da legenda assinaram uma carta na qual rejeitam a continuidade e afirmam que Starmer não é o nome certo para liderar o país. Seis nomes despontam na bolsa de apostas: Wes Streeting, o bem-avaliado ministro da Saúde, Andy Burnham, prefeito de Manchester, Angela Rayner, ex-vice-líder do partido, Ed Miliband, ministro de Energia, Shabana Mahmood, ministra do Interior e figura em ascensão na legenda, e Al Carns, adjunto da pasta de Defesa. Na busca pelo voto de confiança, Starmer fez um mea-culpa. “Eu assumo a responsabilidade por esses resultados eleitorais, e assumo a responsabilidade por entregar a mudança que prometemos. (…) O Partido Trabalhista tem um processo para desafiar um líder e esse processo não foi acionado. O país espera que continuemos governando. É isso que estou fazendo e o que devemos fazer como gabinete”, afirmou em nota.
Publicado na edição n° 1413 de CartaCapital, em 20 de maio de 2026.
Este texto aparece na edição impressa de CartaCapital sob o título ‘A Semana’
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