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STF/ Oásis ou miragem?

Dino amplia apuração sobre emendas de Carlos Viana para fundação da Igreja Lagoinha

STF/ Oásis ou miragem?
STF/ Oásis ou miragem?
O ministro apontou “falhas de transparência e rastreabilidade” – Imagem: Victor Piemonte/STF
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O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou a abertura de apuração preliminar sobre possíveis irregularidades na destinação de emendas à Fundação Oásis, braço social da Igreja Batista da Lagoinha. A decisão ocorre após o magistrado apontar “falhas de transparência e de rastrea­bilidade” nos repasses. A depender dos achados, o caso pode ser enviado à Polícia Federal. O foco ­recai sobre o senador Carlos Viana, responsável por destinar 3,6 milhões de reais à instituição. Para Dino, os esclarecimentos apresentados até agora são insuficientes, mantendo sob suspeita a regularidade das transferências. O ministro determinou a coleta de documentos para apurar eventual desvio de finalidade ou favorecimento.

Viana presidiu a CPI do INSS, encerrada no sábado 28 sem relatório aprovado. Dois dias antes, o STF rejeitou pedido do senador para prorrogar os trabalhos. Criada para investigar descontos ilegais de taxas associativas em aposentadorias e pensões, a comissão perdeu foco e passou a mirar o escândalo do Banco Master. Nesse contexto, a bancada do PT chegou a protocolar pedido de afastamento de Viana do comando da investigação. A PF apura a relação entre a Lagoinha e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master. Um dos elos é Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado como operador do esquema, que atuava como pastor em Belo Horizonte.

Blackface na mira da PF

O Ministério Público Federal determinou que a Polícia Federal instaure uma investigação criminal contra a deputada estadual Fabiana Bolsonaro, do PL, por suspeita de racismo e transfobia. Em recente discurso na Assembleia Legislativa de São Paulo, a parlamentar pintou o rosto e os braços com base para peles negras ao questionar a nomeação da deputada federal Érika Hilton para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher. “Se agora, aos 32 anos, decido me maquiar, me travestir como uma pessoa negra, eu virei negra?”, disse, ao questionar a legitimidade de uma mulher trans no comando do colegiado. Durante a abjeta encenação de blackface, Fabiana destacou que sempre se identificou como branca, mas se declarou parda nas eleições de 2022, recebendo 1,5 mil reais do Fundo Especial de Financiamento de Campanha destinado a candidaturas negras.

Ditadura/ Mistério de 50 anos é revelado

Pesquisadores localizam sala da farsa do “suicídio” de Herzog

O jornalista foi assassinado nas dependências do DOI-Codi paulista – Imagem: Silvado Leung Vieira/GOVSP

Pesquisadores da Unifesp identificaram o local exato onde agentes da ditadura encenaram o falso suicídio do jornalista Vladimir Herzog, assassinado em 25 de outubro de 1975 nas dependências do DOI-Codi paulista. A descoberta, após mais de cinco décadas, foi possível graças ao trabalho de historiadores, arqueólogos e arquitetos, que compararam registros fotográficos da época com a estrutura do prédio, verificando correspondências entre marcas nas paredes, no piso e na grade da janela.

O reconhecimento do ambiente enfrentou dificuldades devido às reformas realizadas nos anos 1980, quando o prédio passou a abrigar o Instituto de Criminalística. Elementos originais foram cobertos por tinta, azulejos e novos pisos. Ainda assim, foram identificadas marcas de prisioneiros escondidas sob camadas de reboco. Depoimentos de outros detidos nesse mesmo período permitiram traçar o percurso de Herzog até a sala onde seu corpo foi fotografado. “Claramente, não é uma cena de suicídio, e sim uma encenação para ocultar uma morte sob tortura”, afirma Deborah Neves, coor­de­nadora do Grupo de Trabalho do Memorial DOI-Codi.

Igreja/ Emergência climática

Papa nomeia cientista brasileiro Carlos Nobre para conselho do Vaticano

O climatologista é dos laureados pelo Nobel da Paz de 2007 – Imagem: Daniel Antônio/Agência Fapesp

O papa Leão 14 nomeou, na segunda-feira 30, o climatologista brasileiro Carlos Nobre como integrante do Dicastério para a Promoção do Desenvolvimento Humano Integral, que funciona como uma espécie de conselho do Vaticano. Criado em 2016, o órgão tem, entre suas atribuições, a missão de proteger a dignidade dos imigrantes e de pessoas forçadas a deixar seus países devido a conflitos ou desastres naturais.

Pesquisador aposentado do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Nobre integra o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e contribuiu para o relatório que recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2007. Atualmente, atua no Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP. Em novembro, durante a COP30 em Belém, ele afirmou à revista CartaCapital que é urgente antecipar metas ambientais para evitar o colapso climático: “Precisamos rapidamente zerar as emissões, principalmente zerar o uso de combustíveis fósseis até 2040, não mais que 2045”.

Bloqueio suspenso

A Rússia confirmou, na segunda-feira 30, que um cargueiro carregado de petróleo bruto desembarcou em Cuba, após três meses de bloqueio imposto pelos Estados Unidos. Moscou anunciou que pretende enviar novas remessas à nação caribenha nos próximos dias. Desde janeiro, Donald Trump ameaçava impor sanções aos países que continuassem exportando combustíveis para os cubanos. No entanto, no domingo 29, o presidente indicou relaxamento do cerco: “Se um país quiser enviar petróleo para Cuba agora, não tenho problema nenhum com isso, seja a Rússia ou não”.

Israel/ Enforcamento sem clemência

Nova Lei prevê pena de morte para palestinos acusados de terrorismo

Ben-Gvir acompanhou a votação com um broche de forca no paletó – Imagem: GPO/Israel

O Parlamento de Israel aprovou, na segunda-feira 30, uma controversa lei que estabelece a pena de morte como sentença-padrão para palestinos condenados em tribunais militares por ataques com vítimas fatais. A proposta é de autoria de Itama­r Ben-Gvir, ministro da Segurança Nacional, que chegou a usar um broche em formato de forca no paletó durante a votação. O premier Benjamin Netanyahu também se engajou diretamente na aprovação do projeto, uma antiga promessa a aliados da extrema-direita.

A norma prevê execução por enforcamento em até 90 dias após a sentença, com possibilidade de adiamento por 180 dias, mas sem direito a clemência. Somente em casos excepcionais, a pena de morte poderia ser substituída por prisão perpétua. Críticos denunciam a seletividade da lei, que dificilmente será aplicada a extremistas judeus acusados de crimes semelhantes, como colonos responsáveis por ataques contra palestinos na Cisjordânia. O texto restringe a pena de morte a quem promover ataques “com a intenção de acabar com a existência de Israel”.

O país aboliu a pena de morte por assassinato em 1954. Entre os poucos executados após julgamento civil está Adolf Eichmann, arquiteto do Holocausto, enforcado em 1962.

Publicado na edição n° 1407 de CartaCapital, em 8 de abril de 2026.

Este texto aparece na edição impressa de CartaCapital sob o título ‘A Semana’

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