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São Paulo/ Por punição exemplar

Garis cobram justiça após colega morrer atropelado por motorista embriagado

São Paulo/ Por punição exemplar
São Paulo/ Por punição exemplar
Em protesto, a categoria parou na terça-feira 28 – Imagem: Alexandre de Paulo/Siemaco-SP
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Garis da cidade de São Paulo ­realizaram uma paralisação, na terça-feira 28, em protesto pela morte do coletor Diego Rafael da Silva, de 19 anos, atropelado enquanto trabalhava na Barra Funda, Zona Oeste da capital. A categoria cobrou justiça, punição rigorosa ao responsável e mais segurança para os profissionais da limpeza urbana.

Diego recolhia contêineres na traseira de um caminhão de coleta, parado e devidamente sinalizado, quando foi atingido por uma Land Rover Discovery em alta velocidade, conduzida pelo empresário chinês Guofang Huang, de 53 anos. O jovem chegou a ser socorrido à Santa Casa, mas não resistiu aos ferimentos.

Preso em flagrante por homicídio, Huang teve a detenção convertida em prisão preventiva. O teste do bafômetro apontou 0,73 miligrama de álcool por litro de ar expelido, mais que o dobro do limite que caracteriza crime de trânsito. Testemunhas também relataram sinais evidentes de embriaguez. Diego deixou a esposa grávida de sete meses e um filho de um ano.

Veto aos Legendários

A Igreja Presbiteriana do Brasil orientou seus seguidores a não aderirem ao Legendários, movimento que recorre a técnicas de coaching e a um discurso religioso para promover o “resgate” da masculinidade. Em parecer aprovado pelo Supremo Concílio, a denominação avalia que a iniciativa difunde práticas e ensinamentos incompatíveis com a tradição reformada, ao estimular uma espiritualidade paralela à vida da igreja e adotar conceitos sem respaldo bíblico. O documento também recomenda que pastores desestimulem a participação de fiéis no grupo, que ganhou popularidade entre evangélicos com retiros realizados no Brasil e em outros países.

Pesquisa/ Sob medo constante

Mais da metade das brasileiras sofreu violência doméstica

Sete em cada dez mulheres têm receio de denunciar o agressor – Imagem: iStockphoto

Vinte anos após a aprovação da Lei Maria da Penha, uma pesquisa dos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva revela que 54% das brasileiras sofreram algum tipo de violência praticada por namorados, maridos ou ex-companheiros. O porcentual equivale a cerca de 47,7 milhões de mulheres. Em contrapartida, apenas 11% dos homens reconhecem ter cometido algum tipo de agressão contra uma parceira ou ex.

O levantamento indica que a violência psicológica é a forma mais comum de abuso, relatada por 42% das entrevistadas, seguida por agressões físicas (25%), morais (19%), sexuais (10%) e patrimoniais (9%). Segundo o Instituto Patrícia Galvão, muitos casos deixam de ser identificados porque parte das vítimas ainda não reconhece certas condutas, como controle, humilhação e isolamento, como formas de violência.

Apesar dos avanços promovidos pela Lei Maria da Penha, a pesquisa mostra que o desafio permanece. O estudo aponta que 68% das mulheres ainda têm medo de denunciar o agressor, enquanto oito em cada dez defendem que a legislação precisa ser acompanhada de políticas públicas para ampliar a proteção às vítimas.

Esporte/ Neymar, o humorista

“Não quero mais a Seleção”, diz o ex-jogador em atividade

Demorou para o “menino Ney” reconhecer que seu tempo passou – Imagem: Mauro Pimentel/AFP

Depois da pífia atuação na Copa do Mundo, Neymar Jr., meia-atacante do Santos, revelou um surpreendente talento para o humor ao “anunciar” sua aposentadoria da Seleção Brasileira. “Fiz história, fui muito feliz, dei meu sangue, minha vida, sempre briguei pela Amarelinha, mas agora não quero mais”, afirmou na zona mista da Vila Belmiro, após a gloriosa vitória do clube sobre a Universidad Central, da Venezuela, pela Copa Sul-Americana.

Oxalá o astro da fracassada geração tenha se convencido de que seu tempo passou. Para carimbar o passaporte para o Mundial dos EUA, escondeu uma lesão na panturrilha e mobilizou sua extensa rede de “parças” para pressionar o técnico Carlo Ancelotti a convocá-lo. Jogou por apenas 15 minutos na partida contra a frágil Escócia e arrastou-se em campo durante 23 minutos no jogo decisivo contra a Noruega pelas oitavas de final. Ao marcar um gol de pênalti nos acréscimos, preferiu provocar o goleiro Nyland a correr atrás do prejuízo no placar. Não deu outra: o norueguês celebrou a classificação, enquanto o brasileiro caiu aos prantos à beira do gramado.

Reforço contra o El Niño

O governo federal anunciou, na quarta-feira 29, um complemento orçamentário de 1,33 bilhão de reais para reduzir os impactos do El Niño no Brasil. Os recursos serão destinados à compra de milho e arroz, distribuição de cestas básicas, apoio a produtores rurais, prevenção de incêndios e monitoramento do nível dos rios. O Planalto também criou uma sala de situação com representantes de 24 ministérios e outras nove estruturas temáticas para coordenar áreas como saúde, energia, estiagem e assistência social. Durante uma reunião ministerial, Lula afirmou que o País “nunca esteve tão preparado” para enfrentar uma crise climática.

Fifa/ Futebol S/A

Infantino gera reação global após anunciar plano de “vender” a Copa

O cartola fala em ofertar apenas “participações minoritárias” – Imagem: Juan Mabromata/AFP

A Fifa anunciou, na segunda-feira 28, um controverso plano para atrair investidores privados por meio da constituição de uma empresa. A Fifa Forward Enterprise (FFE), como a iniciativa foi batizada, ficaria responsável por gerenciar os direitos comerciais e a operação das competições organizadas pela federação, entre elas a Copa do Mundo. Com a venda de ações, Gianni Infantino, presidente da entidade, espera arrecadar 4,2 bilhões de dólares (cerca de 21,5 bilhões de reais).

Embora a Fifa prometa manter o controle acionário da nova empresa, a proposta despertou forte reação. A Uefa, responsável pela Champions League, classificou a iniciativa como perigosa. “Isso cruza uma linha que as instituições governamentais do futebol nunca deveriam cruzar”, diz uma nota da entidade. A Concacaf, que representa países da América do Norte, Central e Caribe, e a AFC, organizadora da Copa da Ásia, também manifestaram objeções à proposta.

Diversas federações nacionais engrossaram o coro dos críticos. A inglesa disse estar “profundamente preocupada”, enquanto a alemã classificou o plano como “um ataque absoluto contra o futebol”. Glenn ­Micallef, comissário da União Europeia, acrescentou que “a comercialização desenfreada do futebol se tornou nociva” e fez um apelo nas redes: “Não toquem no nosso esporte”.

Direito Internacional/ Debandada do TPI

Trump aperta o garrote sobre o tribunal que julga crimes de guerra

O presidente dos EUA congelou fundos e cancelou vistos de integrantes da Corte – Imagem: iStockphoto

Os Estados Unidos lideram uma debandada do Tribunal Penal Internacional. Primeiro, os norte-americanos pressionaram a Venezuela a sair da Corte. Em seguida, o Chade tomou a mesmo caminho.  O TPI é responsável por julgar crimes de guerra e contra a humanidade, mas sua jurisdição é restrita: só alcança cidadãos de países signatários.

Os EUA não são um deles, mas, ainda assim, militam contra a Corte porque seus juízes também podem ocupar-se de crimes cometidos no território de países signatários. Dois exemplos: o premier Benjamin ­Netanyahu e o presidente Vladimir Putin. Seus respectivos países – Israel e Rússia – não integram o tribunal, mas os crimes atribuídos a eles foram cometidos em ­Estados partes: a Palestina e a Ucrânia, respectivamente. Por isso, ambos líderes têm ordens de prisão emitidas pelo TPI contra si.

Como Washington teme que o mesmo possa ocorrer com seus cidadãos quando eles cometem crimes em território de países signatários, o governo Trump deu início a uma ofensiva para exterminar o tribunal. Essa ofensiva é marcada por congelamento de fundos dos integrantes da Corte e por cassação de vistos, o que os impede de ir à sede da ONU, em Nova York.

No caso da Venezuela, o TPI vinha analisando denúncias contra Nicolás Maduro. No caso do Chade, crimes cometidos na guerra contra o Sudão. A rigor, o tribunal segue tendo poderes sobre ambos os casos, mas essa jurisdição deve ser contestada, agora com apoio norte-americano.

Cerco financeiro

Para forçar imigrantes em situação irregular a se autodeportarem, o governo de Donald Trump está aplicando multas de até 1,8 milhão de dólares (cerca de 9,2 milhões de reais). De acordo com o New York Times, mais de 100 mil estrangeiros receberam notificações do Departamento de Segurança Interna (DHS) cobrando 998 dólares por dia de permanência no Estados Unidos após uma ordem definitiva de remoção. Embora as penalidades estejam previstas na legislação migratória norte-americana desde 1996, elas nunca haviam sido aplicadas por um presidente antes de Trump.

Publicado na edição n° 1424 de CartaCapital, em 5 de agosto de 2026.

Este texto aparece na edição impressa de CartaCapital sob o título ‘A Semana’

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