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CartaCapital aponta suas preferências eleitorais

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Soberania. O presidente incorpora um projeto nacional. Seu principal oponente não passa de um despachante de interesses familiares e subalternos – Imagem: Miguel Schincariol/AFP
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Eleições 2026

Desde 1994, quando a edição número 1 chegou às bancas, esta publicação tem por hábito indicar os candidatos que considera mais habilitados a conduzir os rumos do País. CartaCapital fia-se, em primeiro lugar, na tradição das mais prestigiosas publicações do mundo. Há 174 anos, em todo ciclo eleitoral, The New York Times informa aos leitores as razões de seu “voto”. A partir dos anos 1960, o principal jornal dos Estados Unidos passou a apoiar de forma sistemática os presidenciáveis do Partido Democrata. O costume havia se solidificado na mídia norte-americana ao longo do século XX, mas sofreu um revés na última eleição, quando alguns novos magnatas dos meios de comunicação, oriundos do Vale do Silício, decidiram trocar a opinião dos editoriais pela fila do gargarejo na posse de Donald Trump. Qualquer semelhança com repúblicas de banana não é mera coincidência.

Na Europa, o britânico The Guardian nasceu alinhado aos trabalhistas, enquanto The Daily Telegraph integra as fileiras dos conservadores. Os liberais da revista The Economist ultrapassam fronteiras: escolhem seus preferidos não só no Reino Unido, dão pitacos nas disputas em países considerados fundamentais para o triunfo dos valores capitalistas defendidos pela redação.

Ao declarar suas posições, ­CartaCapital também se escora em um princípio basilar nestes 32 anos de existência: o respeito à inteligência do leitor. Em vez de um simulacro de neutralidade de fazer corar os mascarados da lucha libre e os encantadores de serpentes, preferimos a transparência, convictos de que a clareza de posições fortalece o exercício do jornalismo.

Tão importante quanto reeleger Lula é melhorar a composição do Congresso

No domingo 16, começou oficialmente a campanha. Daqui a menos de dois meses, os brasileiros irão às urnas e o resultado, determinante, vai reverberar por um período bem mais longo do que os próximos quatro anos de mandato do vencedor. A conspiração segue à espreita, tonificada pelo assédio da, ainda, maior potência militar e econômica do planeta, empenhada em retomar, à força, se necessário, o controle do seu quintal. Os eleitores vão escolher não só um presidente, mas entre a soberania e a subserviência a interesses estrangeiros. Entre a autonomia e o servilismo. Por essas e outras, o presidente Lula, em busca do quarto mandato, é a única opção diante dos desafios da geopolítica internacional e das pretensões de um país que, embora favorecido pela natureza, não consegue se libertar dos grilhões da desigualdade e do atraso. O atual presidente tem não só o passado a oferecer ao Brasil. Tem um futuro, principalmente se, nos últimos quatro anos no poder, se dedicar a coroar sua excepcional trajetória com um legado que o eleve ao mesmo panteão de Getúlio Vargas como construtor de um país. Lula encarna um projeto nacional, seu principal oponente é o despachante de um empreendimento miliciano-familiar apegado a um plano particular, a anistia aos golpistas.

Sem apoio nos estados e no Congresso, a margem de manobra do presidente Lula permanecerá, no entanto, limitada. Eleger deputados e senadores comprometidos com um programa de desenvolvimento é o caminho para devolver às mãos do povo o Parlamento, transformado, na última década, em um covil de punguistas, um bazar de influencers, uma quermesse e uma trincheira de traidores da pátria. Equilibrar, ainda que pontualmente, a correlação de forças no Legislativo é restabelecer a imprescindível harmonia entre os poderes.

Paes, no Rio de Janeiro, e Juliana Brizola, no Rio Grande do Sul, trazem o vento da mudança necessária. Rodrigues, na Bahia, e Freitas, no Ceará, são a garantia de continuidade – Imagem: Redes Sociais

No Rio de Janeiro, Eduardo Paes reúne as condições para enfrentar os maiores flagelos locais, as milícias e as facções criminosas. Se eleito, o candidato precisará, porém, ter a humildade de pedir socorro à União. Só uma força-tarefa nacional arregimentará os recursos humanos, financeiros e logísticos necessários para coibir a criminalidade e livrar os cidadãos fluminenses do jugo da violência. Juliana Brizola representa o frescor da renovação no Rio Grande do Sul, cuja população, dois anos depois das enchentes, ainda se sente abandonada. Elmano Freitas, no Ceará, Jerônimo Rodrigues, na Bahia, e Rafael Fonteles, no Piauí, garantem a continuidade de governos bem-sucedidos. Eficiente ministro dos Transportes, Renan Filho tem tudo para dinamizar a economia de Alagoas. Em Minas Gerais, a experiência e o irretocável histórico de Patrus Ananias servem de antídoto à instabilidade e ao despreparo dos principais adversários.

E São Paulo?, talvez pergunte o leitor. O ex-ministro Fernando Haddad cumpriria com desenvoltura a função. Uma dobradinha com o governo federal, em uma eventual reeleição do presidente Lula, seria a chance de o estado recuperar o protagonismo perdido. De qualquer maneira, dadas as suas excepcionais qualidades intelectuais, que Haddad nunca permite aos interlocutores ignorar, o professor está habilitado a prestar serviços em diferentes instâncias. Entre as opções, voltar ao comando das finanças do País ou assumir o leme da Casa Civil. Se tudo der errado, Haddad seria um inesquecível coordenador de um curso avançado sobre a filosofia de Hegel e Heidegger. •

Publicado na edição n° 1427 de CartaCapital, em 26 de agosto de 2026.

Este texto aparece na edição impressa de CartaCapital sob o título ‘Nossas escolhas’

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