“Nirlando era um sujeito extraordinário e um texto impecável”, diz Mino Carta

O diretor de redação de CartaCapital e outros amigos lamentam a morte de Nirlando Beirão

Nirlando Beirão (Foto: Reprodução Instagram)

Nirlando Beirão (Foto: Reprodução Instagram)

CartaCapital

O jornalista e escritor Nirlando Beirão morreu nesta quinta-feira 30, aos 71 anos, em decorrência de um infarto. Desde 2016, ele lutava contra uma esclerose lateral amiotrófica, mas continuou escrevendo para CartaCapital, onde era editor especial, no comando da seção QI.

Ao longo da carreira, Beirão passou por alguns dos principais veículos jornalísticos do País, como O Estado de S. Paulo, Veja e IstoÉ. Iniciou a carreira no Última Hora de Samuel Wainer e chegou a dirigir a revista Playboy. Foi comentarista de tevê, correspondente internacional e escreveu vários livros de sucesso, entre eles Corinthians: É Preto no Branco, escrito em parceria com Washington Olivetto, e Meus Começos e Meu Fim, no qual narra a batalha contra a doença degenerativa e conta a história do amor secreto entre seus avós paternos.

“Estou muito abalado e entristecido. Nirlando era muito mais do que um amigo e um companheiro de trabalho. Além de ser um sujeito extraordinário, sob todos os pontos de vista, tinha um texto impecável. Esperava por esse desfecho, mas quando as coisas acontecem você se dá conta do real significado delas”, afirma Mino Carta, diretor de redação de CartaCapital. “Conheci Nirlando em 1968. Costumava visitar o Jornal da Tarde para matar a saudade de uma equipe com a qual tinha me dado muito bem. Ele não tinha trabalhado comigo lá, era um recém-chegado, que tinha então 19 anos. E eu fiquei muito impressionado com ele, pela sua verve, pela graça, pela simpatia natural. Ali nasceu essa amizade que perdurou por 52 anos. Ainda ontem ele escreveu o seu texto para CartaCapital, a sua despedida, de certa forma.”

O economista Luiz Gonzaga Belluzzo, consultor editorial de CartaCapital, lamenta não poder comparecer ao velório do amigo em decorrência da pandemia de coronavírus.  “Nirlando era uma dessas figuras extraordinárias que Minas Gerais produz de tempos em tempos. Tinha uma inteligência aguçada, um senso de humor raro, um texto maravilhoso. Não por acaso, na CartaCapital, ele brilhava muito com as suas páginas de crítica literária”, afirma Belluzzo, ex-presidente do Palmeiras. “Nos divertíamos muito falando sobre futebol. Ele era torcedor do Atlético Mineiro, também tinha certas inclinações alvinegras paulistanas, e costumava brincar muito comigo. O mais triste é não poder se despedir dele.”

Para Hélio Campos Mello, amigo e parceiro de trabalho de longa data, a morte de Nirlando representa uma “perda brutal” para o Brasil.  “Em um momento marcado por tantas grosserias, ele era um cara de uma elegância, uma educação a toda prova. Ele era extremamente inteligente, tinha um texto brilhante e um caráter exemplar. Fará muita falta hoje, onde essas qualidades são raras.”

Na visão do escritor mineiro Afonso Borges, morre com o amigo “a palavra em estado de elegância”. Conforme escreveu em seu blog: “Este mineiro de Belo Horizonte, da melhor cepa do jornalismo, era o que a gente podia chamar de Guru. Sim, vou repetir: um Guru, um Mestre, um guia, um sujeito admirável, que a gente queria ser e imitar.”

O jornalista Juca Kfouri também lamentou o falecimento, em texto publicado em seu blog. “Gostaria de escrever que alguém como ele não tem fim, mas a tristeza, ao perdê-lo, aos 71 anos, impede. E sou capaz de ouvi-lo dizer com delicadeza: ‘Pare por aqui’, está ficando piegas. Uma desgraça.”

Nas redes sociais, o diretor de jornalismo da Band Fernando Mitre destacou as qualidades de Beirão. “O Brasil acaba de perder um brilhante jornalista: Nirlando Beirão, texto excepcional, profissional completo, referência para os colegas.” Xico Sá lembrou a generosidade do amigo com colegas de redação. “Principalmente com os ‘focas’.” Paulo Sampaio, do UOL, também rememorou seu legado. “Meu melhor editor, melhor chefe, o maior mestre. Um gênio.”

O crítico de cinema Amir Labaki, fundador do festival É Tudo Verdade, escreveu: “O jornalismo brasileiro perde um de seus melhores textos e editores”.

Para o ex-governador do Ceará, Ciro Gomes,  Nirlando fará muita falta neste ambiente de indigência intelectual que sofremos. “O Brasil perdeu de ontem para hoje um grande filho seu e eu um amigo muito querido”, disse em suas redes sociais.

A jornalista e designer Mariana Ochs lamentou a morte de Nirlando e disse que o jornalista fazia a crônica dos nossos tempos. “Vá em paz, Nirlando BeirãoUm privilégio ter trabalhado com você nessa plataforma”.

O jornalista Fernando Moraes fez um post em seu Facebook lamentando a morte de seu colega. “Tristeza profunda. Morreu o amigo, o irmãozinho querido Nirlando Beirão”, escreveu.

Para o jornalista da Folha de S. Paulo, Ricardo Kotscho, Nirlando viveu com delicadeza e bom humor. “Aquele amigo que escrevia como viveu”, relembrou.

Também deixou condolências a jornalista Hildegard Angel. “Grande jornalista, ótimo texto. Ficamos amigos à primeira vista, quando foi me entrevistar, e ao ser publicada a revista, foi dos mais generosos textos a meu respeito. Vai em glória, deixa como legado um elogiado livro biográfico”, escreveu, no Twitter.

O corpo de Nirlando Beirão será levado para Belo Horizonte e velado na capital mineira.

Responda nossa pesquisa e nos ajude a entender o que nossos leitores esperam de CartaCapital

Um minuto, por favor...

Obrigado por ter chegado até aqui. Combater a desinformação, as mentiras e os ataques às instituições custa tempo e dinheiro. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se você acredita no nosso trabalho, junte-se a nós. Apoie, da maneira que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo integral de CartaCapital!

Editor de CartaCapital

Post Tags
Compartilhar postagem